União Européia lança plano para ex-repúblicas soviéticas

Proposta reforma instituições e fortalece a democrata para reduzir a dependência do gás russo do bloco

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2008 | 08h55

Em uma medida que promete causar polêmica, a União Européia anunciou na quarta-feira, 3, um pacote milionário para promover uma maior influência de Bruxelas nas ex-repúblicas soviéticas e conseguir, no futuro, reduzir sua dependência do gás russo. Ucrânia, Geórgia e outros quatro países receberiam apoio da UE para reformar suas instituições e fortalecer a democracia na região que é considerada pelo Kremlin como seu quintal e zona de influência.   O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, admitiu que a guerra na Geórgia e os ataques russos demonstraram que a aproximação entre a região e a UE era necessária. "Estamos propondo um plano ambicioso. Os eventos na Geórgia em agosto tiveram influência nessa decisão", disse. Entre as medidas estão pacotes de ajuda financeira, facilidades de visto para o fluxo de turistas e ainda a abertura de negociações de acordos de livre comércio com o bloco que também incluir Armênia, Azerbaijão, Bielo-Rússia e Moldávia.   O pacote, conhecido como Parceria Oriental, sugere que acordos comerciais sejam estabelecidos conforme esses governos demonstrem compromisso com reformas para garantir regimes democráticos. Mas a UE não está apenas em interessada na promoção da democracia na região. Os europeus querem garantir acesso privilegiado às reservas de petróleo e de gás dos países do Cáucaso.   Na Europa, 40% do gás usado pelo continente vem da Rússia e 35% do petróleo vem das reservas do Kremlin. Com a aproximação, a esperança é de que haja uma maior diversificação de fontes de abastecimento. Não por acaso, o pacote com os seis países incluir projetos de cooperação no setor de energia. Barroso tentou evitar transformar a iniciativa em um enfrentamento e alertou que os russos não teriam motivos para se preocupar, mas alertou que não aceitaria que nenhuma região fosse tratada como quintal de uma potência.   "Não estamos na Guerra Fria. Não há mais esferas de influência. Acredito que todos os países têm o direito de decidir que direção tomar", disse. Para a Europa, o plano é o de tentar apoiar reformas e a estabilidade na região. Mas a medida deve incrementar ainda mais o sentimento de Moscou contra o Ocidente. Para a Comissão, é de "interesse vital ver uma melhor governança e desenvolvimento econômico" nesses países e reduzir a influência da Rússia na região.   Até 2020, a UE deve multiplicar sua ajuda financeira à região. Até 2020, os europeus gastarão 1,5 bilhão de euros na região. "Não queremos desenhar uma nova fronteira na Europa. Apenas queremos apoiar reformas em países que estão dispostos a levar essas mudanças adiante", completou Barroso. "Chegou o momento de abrir um novo capítulo com nossos vizinhos", disse.

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