Nazeer Al-khatib/AFP
Nazeer Al-khatib/AFP

União Europeia limita venda de armas à Turquia, mas evita embargos

Bloco também concordou em estabelecer sanções econômicas a Ancara por conta da perfuração turca de petróleo e gás perto de Chipre

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2019 | 19h12

BRUXELAS - Autoridades de países da União Europeia (UE) concordaram nesta segunda-feira, 14, em limitar as vendas de armas para a Turquia como protesto à recente invasão no norte da Síria para atacar curdos.

A Itália, maior exportadora de armas para o país no ano passado, disse que se juntaria a França e Alemanha na proibição de vender armas e munições para Ancara - os dois países suspenderam as vendas no fim de semana. A Espanha também sinalizou que estava pronta para cortar as exportações de armas. 

Com uma série de outros países, incluindo Holanda, Finlândia e Suécia, interrompendo essas vendas, a posição conjunta da UE foi a de evitar um embargo legal à Turquia, país candidato de longa data a ingressar no bloco. 

Um veto completo colocaria a Turquia ao lado de Venezuela e Rússia, países para os quais a UE proíbe formalmente a venda de armas e considera seus atuais governos hostis. Diplomatas falaram que os ministros não estavam prontos para um embargo, apesar do descontentamento contra o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

“Não queremos apoiar esta guerra e não queremos disponibilizar armas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas.

Os chanceleres dos 28 países também concordaram em estabelecer sanções econômicas a Ancara por conta da perfuração turca de petróleo e gás perto de Chipre, mas as pessoas ou empresas que serão afetadas por essas sanções serão definidas futuramente.  

O governo turco disse que “rejeitou e condenou totalmente” as decisões tomadas e os pedidos feitos pela UE sobre as duas questões. “Vamos rever seriamente nossa cooperação com a UE em certas áreas devido a sua atitude ilegal e tendenciosa”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em comunicado. 

Proibição da exportação de armas

Diante das novas sanções dos Estados Unidos e da ameaça da Europa, a lira turca caiu 0,8% nesta segunda-feira, 14, apesar de negociadores céticos terem dito que se enfraqueceria ainda mais se aliados ocidentais transformassem palavras em ações em sua resposta à invasão da Turquia na Síria. 

O embaixador da Turquia nas Nações Unidas em Genebra, Sadik Arslan, ex-conselheiro de Erdogan, considerou as medidas da UE “uma piada”. “Temos uma base industrial suficiente para substituí-los por nossos sistemas muito melhores”, disse.

No ano passado, a UE exportou € 45 milhões em armas e munições para a Turquia, incluindo mísseis, segundo o escritório de estatísticas da UE Eurostat. A Itália foi o principal fornecedor, seguida por Espanha, Reino Unido e Alemanha. Já as vendas de aeronaves, embora nem todas para as forças armadas, totalizaram € 1,4 bilhões em 2018, liderada pela França. 

Sanções na perfuração mediterrânica

Com poucas formas de convencer a Turquia a recuar, os ministros da UE emitiram uma declaração condenando a ofensiva do país, que pretende neutralizar as Unidades de Proteção do Povo (YPG), milícia curda na Síria.

Essa declaração foi vista como um progresso para o bloco por conta da resistência inicial da Hungria. Embora não seja um grande exportador de armas para a Turquia, Budapeste tem receio de fazer qualquer coisa para irritar Erdogan, que na semana passada alertou que “abriria os portões” e enviaria 3,6 milhões de refugiados para a Europa se não o apoiasse. 

A Hungria se recusou a acolher pessoas que fogem da guerra civil de oito anos da Síria e bloqueou uma declaração da UE na semana passada criticando a Turquia, de acordo com dois diplomatas. 

Chipre e Turquia também discutem há anos sobre a propriedade de combustíveis fósseis no leste do Mediterrâneo, onde Ancara afirma que os cipriotas turcos têm direito a uma parte dos recursos. A Turquia enviou navios de perfuração de petróleo e gás para as águas do sul de Chipre, onde as autoridades cipriotas gregas já concederam direitos de exploração de hidrocarbonetos a empresas italianas e francesas.

Chipre e Grécia pressionaram por sanções contra Ancara e os governos da UE decidiram apoiá-los, disseram diplomatas. Os congelamentos de bens na UE e as proibições de viagem devem atingir os militares turcos e os capitães dos navios de perfuração, afirmaram dois diplomatas do bloco. / REUTERS

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