União Européia pede que Saddam não seja executado

A União Européia apelou para que Bagdá não execute Saddam Hussein. O governo americano, no entanto, elogiou a decisão, por um tribunal iraquiano, de manter a sentença de morte contra o ex-líder, que deverá ser executado dentro de 30 dias.Saddam pode ser enforcado a qualquer momento dentro das próximas quatro semanas após um apelo contra a execução ter sido rejeitado. Ele foi condenado por crimes contra a humanidade por causa da morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982.ReaçõesEm uma declaração feita na terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, enfatizou que a Grã-Bretanha se opõe à pena de morte, mas adicionou que o julgamento lembrou claramente como o governo de Saddam era brutal.A Casa Branca disse que o veredicto é um marco nos esforços do Iraque para "substituir o poder de um tirano pelo poder da lei". Grupos de defesa dos direitos humanos, no entanto, questionaram a legalidade do julgamento, entre eles a organização Human Rights Watch, com sede nos EUA.O governo da Índia pediu clemência, expressando preocupação com qualquer atraso no restabelecimento da paz no Iraque.Saddam Hussein está sendo julgado, em um outro processo, por crimes contra a população curda, mas segundo a lei iraquiana, a execução deve ser levada adiante independentemente do veredicto.Até o momento, a data e local da execução não foram revelados. Segundo correspondentes em Bagdá, estas informações só podem ser reveladas quando o ex-presidente estiver morto para evitar protestos.Ao rejeitar o apelo contra a sentença de morte, o juiz Arif Shaheen disse à imprensa reunida em Bagdá que a data da execução não pode exceder "30 dias". Ele disse também que não poderá haver mais apelos e que a sentença não pode ser revogada.O advogado de defesa de Saddam Hussein, Khalil al-Dulaimi, disse que o veredicto "era esperado". "Não ficamos surpresos, já que estamos convencidos de que este foi um julgamento 100% político", disse o advogado. Saddam foi condenado à morte por enforcamento no dia 5 de novembro, quando foi considerado culpado pela morte de 148 pessoas na cidade de Dujail, em 1982. As vítimas eram xiitas que foram mortos após uma tentativa fracassada de assassinato contra Saddam Hussein. O meio-irmão de Saddam, Barzan al-Tikriti, também recebeu sentença de morte.

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