Única opção é ajudar a Argentina, diz Clinton

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, afirmou hoje que os Estados Unidos não têm outra opção a não ser ajudar a Argentina a sair da atual crise. Clinton esteve reunido ontem com autoridades argentinas, inclusive o presidente Fernando De La Rua, e discutiu três ou quatro possibilidades de ajudar a Argentina a sair da situação. Clinton não quis revelar o teor da discussão, mas garantiu que a forma mais rápida de os Estados Unidos ajudarem a Argentina é promover uma redução nas taxas de juros das captações do país.Clinton disse que, caso a Argentina decida manter o regime de paridade cambial, os Estados Unidos deveriam ajudar a baixar os juros tanto na Argentina quanto no Brasil. O ex-presidente não explicitou se essa ajuda seria na forma de algum empréstimo direto ou uma atuação do Tesouro norte-americano na compra de títulos argentinos a juros menores. Clinton admitiu que se os argentinos decidirem desatrelar o peso do dólar, acabando com o sistema de paridade, os Estados Unidos também "vão estar lá de qualquer forma". "Há outras possibilidades para a Argentina sair da crise, mas a decisão será deles e caberá aos Estados Unidos apenas apoiar a decisão argentina".Clinton admitiu que os países industrializados, os maiores beneficiados com a globalização, têm uma maior responsabilidade em ajudar os países emergentes em crise, caso contrário essas mesmas grandes economias não poderão mais se beneficiarda globalizaç ão. "Os Estados Unidos devem ajudar a Argentina não apenas para ser um bom vizinho e amigo, mas porque essa é a coisa certa a fazer. Se fizermos o que for necessário, a globalização será positiva para todos".Clinton defendeu, também, que todos os países da região façam o que puderem para ajudar a Argentina a superar a crise financeira. "Nosso futuro é juntos; e há uma grande interdependência. Se essa interdependência for positiva ou negativa, dependerá da ajuda que uns derem aos outros", disse Clinton em palestra para cerca de 900empresários sobre o tema "Nosso Futuro Compartilhado: A Globalização no Século XXI". Clinton defendeu enfaticamente a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como um a das formas de superar as crises econômicas da região. Ele apoia um modelo em que todos ganhem, que significa redução de pobreza, melhoria nos índices de expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e divisão entre ricos e pobres. "Para termos uma interdependência positiva precisamos ter uma globalização com face humana", afirmou.Clinton também sustentou uma melhoria nas legislações trabalhistas e ambientais de forma a acabar com a exploração dos trabalhadores e do meio ambiente. Clinton defendeu o aumento do comércio em todo o mundo, a redução da divisão digital, o combate ao aquecimento global e a união de esforços contra o terrorismo e o narcotráfico.

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