Meridith Kohut/The New York Times
Meridith Kohut/The New York Times

Unicef denuncia ‘claros sinais’ de elevada desnutrição entre crianças na Venezuela

Para órgão, governo chavista tem evitado divulgar um levantamento sobre qual seria a dimensão da crise

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2018 | 10h29
Atualizado 26 de janeiro de 2018 | 10h58

GENEBRA - O Unicef alertou nesta sexta-feira, 26, em uma entrevista coletiva na ONU, que o número de crianças venezuelanas que sofre de desnutrição vem aumentando, como resultado da crise econômica que o país enfrenta. O órgão também deixou claro que o governo tem evitado divulgar um levantamento sobre qual seria a dimensão da crise e apontou que os últimos dados oficiais são de 2009. 

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"Ainda que dados precisos não estejam disponíveis em razão de informações oficiais muito limitadas do setor de saúde, há claros sinais de que a crise está limitando o acesso de crianças aos serviços de saúde, remédios e alimentos”, declarou a entidade.

O Unicef, diante da situação, apela para que seja implementado um programa de emergência para "conter a má-nutrição" e o governo aceite trabalhar com parceiros. 

A agência da ONU destaca que os últimos dados oficiais da Venezuela sobre a questão da fome são de 2009. Naquele ano, 3,2% das crianças com menos de 5 anos estavam abaixo do peso. Mas, na avaliação do Unicef, estudos recentes de entidades independentes apontam que o número registrou um "aumento significativo". 

Um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), por exemplo, indicou que a desnutrição, de uma forma geral, na população aumentou de 10,5% para 13% entre 2004 e 2016. Em outro documento da Cáritas, citado pela Unicef, 15,5% das crianças com menos de cinco anos estão abaixo do peso. Meio ano antes, essa taxa era de 11%. 

"Ainda que esses estudos não representem toda a população, são indicadores da contínua deterioração do estado de nutrição de crianças", alertou o porta-voz da Unicef, Christophe Boulierac.

A agência destacou que o governo venezuelano tem tomado medidas para "mitigar o impacto da crise". "Mais, porém, precisa ser feito para reverter a queda preocupante da nutrição entre as crianças", alertou.

Questionado sobre quais medidas a Unicef sugeriria, Boulierac insistiu que a prioridade é que o governo aceite fazer um levantamento realista da dimensão do problema hoje no país. "São relatórios urgentes e essenciais", afirmou.  

Em um recado claro às autoridades de Caracas, a agência insistiu que está "pronta" para ajudar o governo a fazer os alimentos chegarem às crianças mais vulneráveis. 

Nos últimos meses, o governo venezuelano tem hesitado em aceitar ajuda internacional. Segundo o Unicef, uma série de projetos de cooperação já estão ocorrendo para tentar fortalecer o monitoramento da desnutrição, além de apoio real em diversos setores para permitir que 113 mil crianças sejam beneficiadas. 

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