Unicef denuncia crescimento de ´indústria´ das adoções

Gozando das brechas legais e da ineficiência dos governos de países subdesenvolvidos, os processos de adoção têm se tornado uma "indústria", segundo revelou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)."A falta de educação e a ineficiência, sobretudo nos países deorigem, além das perspectivas de obter lucro financeiro, levaram ao crescimento infeliz de uma indústria da adoção", afirmou a Unicef em comunicado.O I Congresso Interestatal sobre a Adoção, realizado em Katmandu, no Nepal, terminou nesta terça-feira, 13, mostrando a preocupação dos especialistas com as irregularidades nos trâmites legais em muitas nações.No Nepal, onde 40% da população vive em situação de pobreza, os pais têm freqüentemente a tentação de deixar seus filhos em um dos 500 orfanatos de Katmandu.Os orfanatos são administrados por empresários que, em nome da "caridade social", recebem doações de particulares e organizações estrangeiras. Mas não existem dados para saber que percentagem das ajudas beneficia de fato as crianças e quanto serve para fazer negócios.Segundo dados da ONG Crianças do Nepal, 30 orfanatos se dedicam além disso à tramitação de adoções. Os casais interessados enfrentam um longo processo burocrático que, com muita sorte, dura vários meses, dependendo do quanto se dispõem a gastar."Oficialmente, uma pessoa tem que pagar US$ 300 a uma organização semi-governamental que trabalha pela saúde dos órfãos", disse o porta-voz da ONG, Upendra Kushari. "Mas os mediadores pedem dinheiro por seus serviços e os orfanatos pedem doações", denunciou.O pagamento, segundo uma fonte que pediu o anonimato, pode chegar a US$ 20 mil, entre taxas de serviços, doações a orfanatos e corrupção, porque a solicitação deve passar por um Comitê deRecomendação no qual é comum o suborno.Os analistas reunidos na conferência, representantes de 14países, pediram ao país que assina a Convenção de Haia sobre Adoção Infantil, que garante maior transparência ao processo e permite a repatriação das crianças adotadas sem o consentimento paterno.

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