EFE/EPA
EFE/EPA

Unicef ​​denuncia ocupação de escolas e universidades por militares em Mianmar

Em nota, entidade também aponta espancamentos a pelo menos dois professores e invasão de pelo menos um hospital

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 02h56

BANGKOK - O Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef) ​​denunciou a ocupação de mais de 60 escolas e campi universitários em 13 regiões de Mianmar por militares que deram um golpe de Estado em 1º de fevereiro.

A entidade da ONU, juntamente com a Unesco e a ONG Save the Children, afirmou em um comunicado que “a ocupação de instalações educacionais em Mianmar pelas forças de segurança é uma grave violação dos direitos das crianças”.

O grupo exorta os militares a abandonarem o complexo "imediatamente" e aponta que estas ocupações "marcam ainda mais o agravamento da atual crise" no país após a revolta militar e a repressão brutal exercida contra manifestantes desarmados.

“As escolas não devem ser utilizadas pelas forças de segurança em hipótese alguma”, disseram em nota divulgada, na qual também denunciam espancamentos a pelo menos dois professores e a ocupação por militares de pelo menos um hospital.

Desde o golpe até sexta-feira, 19, pelo menos 235 pessoas perderam a vida, incluindo vários menores, na repressão brutal das forças de segurança contra os protestos em toda o país em rejeição à tomada do poder pelo exército. Os dados são da Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP).

O portal de notícias Myanmar Now relata, neste sábado, 20, mais duas possíveis mortes ocorridas na noite de sexta em Rangoon, a antiga capital e a cidade mais populosa, a partir de tiros disparados por forças governamentais durante patrulhas noturnas.

Apesar da violenta repressão, os protestos não pararam completamente e continuam em várias partes do país. Os manifestantes exigem que os militares restaurem o sistema democrático, respeitem os resultados das eleições de novembro e a liberdade de todos os detidos pela junta militar, incluindo a líder presa, Aung San Suu Kyi.

O Exército, por sua vez, defende a dura ação das autoridades e justifica o golpe devido a uma suposta fraude eleitoral nas citadas eleições de novembro./ EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.