Miguel Gutiérrez / EFE
Miguel Gutiérrez / EFE

Unicef envia 130 toneladas de remédios e alimentos para Venezuela 

Pela primeira vez, governo Nicolás Maduro cede e aceita ajuda internacional humanitária da ONU

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2018 | 16h55

Como parte de uma resposta a uma das piores crises humanitárias na América Latina em décadas, a Unicef começou a enviar 130 toneladas de remédios e suplementos nutricionais para a Venezuela. Os detalhes estão sendo divulgados depois que a ONU revelou, pela primeira vez, que o governo de Nicolás Maduro havia cedido e aceito o desembarque de ajuda internacional

Num primeiro momento, a ONU enviará US$ 9,3 milhões para o país, um volume de dinheiro superior ao que o Haiti recebe hoje em ajuda humanitária. O valor não fica distante do total recebido em 2018 pelo Afeganistão, cerca de US$ 11 milhões. 

A chegada da ajuda internacional é um ponto importante de mudança na posição do governo de Maduro, que se recusava a considerar a situação como uma crise humanitária e insistia que o desembarque da ajuda seria usado como argumento para uma eventual intervenção. Mas a crise obrigou Caracas a mudar de posição. 

Toda a operação vinha ocorrendo em segredo, para não deixar transparecer uma imagem de fracasso do governo de Maduro. Nem mesmo internamente a ajuda foi anunciada. 

Em um comunicado de imprensa nesta terça-feira, a Unicef admitiu que havia iniciado operações já em agosto, com o objetivo de “fortalecer os esforços do governo para aliviar o impacto da crise econômica para a população mais vulnerável”. 

O anúncio ainda deixa claro que o fornecimento “é parte de um acordo com o governo para expandir os programas da Unicef no país”. 

Os dados da entidade, porém, mostram a dimensão da crise. De acordo com a Unicef, 12% da população passa fome, enquanto o sarampo se multiplicou em oito vezes seu alcance em apenas três anos. Já a difteria passou a atingir 1,2 mil pessoas, principalmente crianças. 

Cerca de 100 toneladas de suplementos nutricionais chegarão a 150 mil crianças. Ao lado do Ministério da Saúde, a entidade também indicou que 30 toneladas de remédios foram previstos para tentar parar a proliferação de doenças contagiosas. 

O material será destinado a ajudar 25 mil mulheres grávidas e 10 mil recém nascidos, além de 2,3 mil crianças que vivem com o vírus do HIV.  

 

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