Unicef faz alerta contra tráfico de crianças haitianas

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou hoje para o fato de várias crianças terem desaparecido em hospitais do Haiti desde o terremoto do dia 12. Isso aponta para a ocorrência do tráfico de crianças para adoção no exterior.

AE, Agencia Estado

22 de janeiro de 2010 | 15h54

"Nós documentamos aproximadamente 15 casos de crianças desaparecendo de hospitais e que não estão com suas famílias", disse um conselheiro do Unicef, Jean Luc Legrand.

"O Unicef trabalha no Haiti há muitos anos e sabemos do problema com o comércio de crianças que já existia antes, e infelizmente essas redes têm ligações com o ''mercado'' de doações internacionais", disse ele.

A agência da ONU advertiu países na semana passada para não apressar as doações de crianças haitianas após o terremoto. Segundo Legrand, as redes de traficantes começaram a agir imediatamente após o desastre "para sequestrar crianças e tirá-las do país".

Em comunicado no site do Unicef, divulgado hoje, a diretora-executiva Ann M. Veneman advertiu para esse e outros riscos para as crianças, como "desnutrição e doenças, tráfico, exploração sexual e sério trauma emocional".

Ann afirmou que o Unicef está trabalhando com parceiros como o governo haitiano e as ONGs Cruz Vermelha e Save the Children para estabelecer "espaços seguros" para as crianças, muitas delas sem os pais, seja por motivo de morte ou de desencontros, em meio ao caos após o terremoto.

Hoje também, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, disse que seu país tentará chegar a uma posição comum na União Europeia sobre adoções do Haiti. A Espanha é presidente de turno do bloco.

A vice-presidente espanhola, Maria Teresa Fernández de la Vega, disse que a intenção é apressar os casos de adoção já em andamento, ao mesmo tempo em que se protege as crianças que estão viajando sozinhas ou ficaram órfãs.

O Unicef pediu que seja garantido o melhor para os interesses das crianças. "O que é necessário agora é apoio para salvar vidas e cuidar das crianças no Haiti", defende o comunicado.

As informações são da Dow Jones.

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