Unicef pede esforços para proteger crianças que nascem e vivem em ambientes de guerra

Somente em 2015, 16 milhões de bebês nasceram em regiões de conflito; organização calcula que 20% dos menores afetados pelos confrontos no Oriente Médio desenvolverão problemas psicológicos

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 08h39

BERLIM - Cerca de 250 milhões de crianças crescem em países e regiões que convivem diariamente com conflitos armados, e somente em 2015 nasceram 16 milhões de bebês em zonas em guerra, alertou nesta terça-feira, 5, o Unicef para reivindicar novos esforços políticos e econômicos para salvar uma geração inteira.

Em entrevista coletiva em Berlim, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apresentou um relatório centrado nos menores refugiados e em zonas de guerra, uma compilação de dados que descreve a dimensão do drama que afeta milhões de crianças no mundo.

"Nunca, desde a Segunda Guerra Mundial, tantas crianças sofreram as consequências de conflitos, crises e catástrofes naturais como hoje", afirma no documento.

O Unicef calcula que 20% das crianças afetadas pelos conflitos no Oriente Médio desenvolverão problemas psicológicos de leves a moderados, e que cerca de 4% morrerão por problemas graves se não receberem ajuda.

No mundo todo cerca de 75 milhões de crianças com idades entre 3 e 18 anos não podem ir à escola ou receber formação em razão de guerras ou catástrofes. A cada dia, em média, quatro escolas ou hospitais são alvos de ataques armados.

Em 2014, o Unicef registrou 164 ataques a escolas no Afeganistão e 67 a centros escolares no Iraque, enquanto na Nigéria estima-se que o grupo terrorista Boko Haram tenha danificado ou destruído mais de 1,2 mil colégios e matado mais de 600 professores.

"Estamos perante uma nova era de crise humanitária na qual cresce uma geração de crianças das guerras e das crises", ressaltou em comunicado o responsável pela agência das Nações Unidas na Alemanha, Christian Schneider.

Estas crianças necessitam de mais do que água potável, alimentação e remédios, advertiu o Unicef para reivindicar que seja coordenada uma ajuda humanitária e que haja um programa para proteger toda essa geração, garantir sua educação e oferecer um futuro digno. /EFE

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