REUTERS/Hani Amara
REUTERS/Hani Amara

Único aeroporto operacional de Trípoli é bombardeado

Marechal Khalifa Haftar prossegue sua ofensiva para tomar controle da capital líbia, apesar dos apelos internacionais para cessar hostilidades

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 16h06

TRÍPOLI - Um avião não identificado realizou nesta segunda-feira, 8, um ataque aéreo contra o aeroporto de Mitiga, o único operacional na capital da Líbia, Trípoli, localizado ao leste da cidade, informou a direção aeroportuária em um comunicado. 

O enviado da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, condenou o ataque, que atribuiu às forças do marechal Khalifa Haftar. O ataque, contra uma das pistas, não causou vítimas. Contudo, os voos precisaram ser suspensos.

Haftar prossegue sua ofensiva para tomar o controle de Trípoli, apesar dos apelos internacionais para que cessem as hostilidades que já deixaram 35 mortos desde quinta-feira, 4.

Apesar do temor de uma guerra generalizada neste país rico em petróleo, mergulhado no caos desde a queda de Muamar Kadafi em 2011, as grandes potências foram incapazes de chegar a um acordo na ONU sobre uma declaração, pedindo que as forças do marechal insurgente interrompam a ofensiva.

Nesta segunda, a União Europeia pediu que o marechal volte à mesa de negociação.

"Peço firmemente a todos os líderes líbios, e em particular Haftar, que parem todas as operações militares e retornem à mesa de negociação sob mediação da ONU", anunciou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, após uma reunião com os chanceleres do bloco em Luxemburgo.

Mogherini explicou ainda que o apelo se dirigia especialmente ao homem forte do leste da Líbia. "Quem lançou uma ofensiva, se não Haftar?", ressaltou.

Já a declaração discutida no domingo no Conselho de Segurança da ONU obteve o apoio dos Estados Unidos, mas foi bloqueada pela Rússia, que deseja um chamado "a todas as partes" para evitar "um banho de sangue".

Leste

O marechal Haftar e seu Exército Nacional Livre têm o apoio político de uma autoridade com sede no leste do país. Além das regiões do leste, suas forças estenderam seu controle no sul da Líbia e agora visam ao oeste. É nesta região que estão Trípoli e a sede do Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pelas milícias do oeste.

Essas forças prometeram no domingo uma contra-ofensiva, chamada "Vulcão da Cólera", para "limpar todas as cidades de agressores".

De acordo com um novo balanço do Ministério da Saúde do GNA, além dos 35 mortos, cerca de 40 pessoas ficaram feridas desde quinta-feira. Entre as vítimas há civis, relatou a mesma fonte.

As forças pró-Haftar indicaram no sábado que 14 de seus combatentes morreram.

Após uma pausa noturna, os combates retomaram esta manhã pelo quinto dia consecutivo no sul da capital, segundo um jornalista da France-Presse.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) manifestou "preocupação" e disse que mais de 2,8 mil pessoas foram deslocadas pelos combates. Também pediu aos beligerantes que "garantam a segurança de todos os civis", bem como acesso humanitário "permanente".

No domingo, a Missão das Nações Unidas na Líbia fez um apelo, sem sucesso, por uma trégua de duas horas nos subúrbios de Trípoli para retirar os feridos e os civis.

Os dois campos rivais ignoraram o apelo e os serviços de emergência confirmaram que não conseguiram entrar na zona dos combates, ao sul de Trípoli, em particular em Wadi Rabi e no perímetro do aeroporto internacional.

Vida que segue

Apesar da violência nos acessos da capital, os moradores continuavam nesta segunda-feira com suas vidas habituais, com engarrafamentos e longas filas nos bancos e postos de gasolina.

Os serviços da administração pública funcionavam e as escolas e lojas estavam abertas, indicaram jornalistas da AFP. 

No domingo, o ministro da educação do GNA explicou que as aulas continuavam "normalmente" em Trípoli, exceto nas zonas de combate do sul. A Universidade de Trípoli solicitou que seus alunos e professores frequentassem as aulas normalmente.

País rico em petróleo, a Líbia está mergulhada no caos por múltiplos conflitos internos desde a queda de Muammar Kaddafi em 2011.

Uma conferência nacional patrocinada pela ONU em Gadamés (sudoeste da Líbia) está prevista para este mês, para definir um "roteiro" para estabilizar o país e realizar eleições.

O enviado da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, garantiu no sábado que as datas da conferência, marcada para acontecer entre 14 e 16 de abril, serão mantidas, exceto em caso de "circunstâncias excepcionais"./AFP, REUTERS e EFE 

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