Unita elege novo líder e diz que a luta continua

Os rebeldes da Unita elegeram nesta quarta-feira o substituto do líder assassinado Jonas Savimbi e prometeram manter a luta em Angola. O líder da Unita é agora o ex-lugar-tenente de Savimbi, Antônio Dembo. O porta-voz dos rebeldes em Lisboa, Rui Oliveira, anunciou que "a ofensiva continua com Antonio Dembo no comando".Ele confirmou que homens da Unita mataram nove pessoas na segunda-feira numa emboscada no centro de Angola e disse que a guerra civil continuará apesar do assassinato de Savimbi pelo Exército angolano na semana passada.Cientistas políticos, entretanto, expressaram dúvidas sobre se Dembo conseguirá se firmar na liderança. Hermann Hannekon, um consultor de política angolana do Instituto Africano da África do Sul, baseado em Pretória, disse acreditar que Dembo "não tem chance. Ele provavelmente será atropelado pelo secretário-geral da Unita, Paulo Lukamba, um homem mais forte, e o movimento pode se dividir entre vários senhores de guerra".Dembo, 57 anos, ex-vice-presidente da Unita, é do norte de Angola e, ao contrário da maioria dos integrantes da guerrilha, ele não faz parte da tribo ovimbundo - o que enfraquece sua posição no movimento. Além do mais, "Savimbi não era o tipo de líder que colocaria um homem muito forte como seu número dois", disse Hannekon.O general angolano Carlitos Wala, cujos soldados mataram Savimbi num tiroteio, afirmou numa entrevista à tevê estatal que Dembo está fisicamente fraco e que se ele não se entregar poderá morrer de fome. Oliveira negou a afirmação, e garantiu que Dembo está em bom estado de saúde.Eles confirmaram que Dembo encontra-se no estado de Moxico, que faz fronteira com Zâmbia. Hannekon disse que a ofensiva do Exército dos últimos dois meses forçou os guerrilheiros da Unita a se refugiarem no sudeste do estado, quase em território zambiano. "Eles começaram a fugir e Savimbi pagou o preço final", disse.O representante da ONU em Angola, Mussagy Jeichande, disse hoje que a morte de Savimbi oferece "ao povo angolano uma oportunidade extraordinária de alcançar a paz". Na guerra civil, que começou logo depois de Angola tornar-se independente de Portugal em 1975, já morreram estimadas 500.000 pessoas.Oliveira afirmou que a Unita só irá suspender a luta e negociar um acordo de paz se o governo declarar um cessar-fogo unilateral, que seja monitorado por observadores da ONU, e garantir a segurança e a liberdade de movimento das tropas do grupo.

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