Carlos Osorio/AP
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Universidade do Michigan demite presidente por relacionamento com funcionária

Mark S. Schlissel utilizava seu e-mail institucional para ter conversas "impróprias" com a funcionária, segundo uma carta do Conselho de Regentes da universidade

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2022 | 14h25

Nos Estados Unidos, o presidente da Universidade do Michigan, Mark S. Schlissel, foi demitido por manter um relacionamento com uma subordinada, segundo o Conselho Regentes da universidade. O grupo disse que a relação violava a política da instituição e a demissão foi realizada “de maneira inconsistente com a dignidade e a reputação da universidade.”

O conselho rescindiu o contrato de trabalho de Schlissel imediatamente após uma reunião especial no último sábado, 15, ordenando que ele devolvesse todas as propriedades da universidade e cancelando um acordo no qual a universidade continuaria pagando seu salário de US$ 927.000 (aproximadamente R$ 5 milhões) por dois anos após o fim de se contrato, que deveria ser apenas em 2023. O conselho nomeou uma ex-presidente, Mary Sue Coleman, como interina.

Em uma carta a Schlissel no sábado na qual informava que ele estava sendo demitido, o conselho disse que havia recebido uma denúncia anônima em 8 de dezembro de que ele estava envolvido em um caso impróprio com uma subordinada. “Não há dúvida de que você estava ciente de que qualquer conduta ou comunicação inadequada entre você e um subordinado causaria danos substanciais à dignidade e à reputação da Universidade de Michigan”, dizia a carta.

Alegações de má conduta sexual na academia não são raras, mas envolvem geralmente estudantes e professores, não reitores de universidades. A demissão de Schlissel é notável porque envolveu o líder de uma das universidades mais prestigiadas do país.

Schlissel, que é casado e tem quatro filhos adultos, de acordo com sua biografia no site da universidade, não foi encontrado para comentar. No site da instituição já consta a biografia de Mary Sue Coleman como presidente interina.

A investigação descobriu que Schlissel havia enviado dezenas de e-mails para a funcionária a partir de sua conta instituicional da universidade ao longo de vários anos. O conselho postou 118 cópias dessas mensagens no site da universidade com interesse de esclarecimento total, disse.

Em uma troca de e-mail em 1º de julho que foi citada pelo conselho, a funcionária disse que seu “coração dói”, e Schlissel respondeu: “eu sei. O meu também." O e-mail terminou com Schlissel dizendo: “Eu ainda gostaria de ser forte o suficiente para encontrar um jeito”.

Os e-mails continuaram e, em novembro, Schlissel escreveu à subordinada que estava desapontado por não estar sentado ao lado dela em um jogo de basquete da Universidade de Michigan. Ele escreveu: “a única razão pela qual concordei em ir foi para ir com você”.

Os e-mails usavam “tom impróprio e linguagem imprópria”, dizia a carta do Conselho de Regentes, e mostravam que Schlissel havia usado negócios oficiais para manter o relacionamento. A conduta de Schlissel foi “particularmente notória” porque ele assumiu uma posição pública contra o assédio sexual, disse o conselho.

Depois que um reitor, Martin Philbert, foi acusado de má conduta sexual, Schlissel enviou uma carta em agosto de 2020 à universidade dizendo que “a maior prioridade” era tornar a universidade “segura para todos”, foi destacado na carta. Philbert deixou a instituição.

Rebekah Modrak, professora de arte e design, patrocinou um bem sucedido voto de desconfiança do corpo docente contra Schlissel em setembro de 2020, principalmente devido a preocupações com suas políticas durante a pandemia. Segundo a professora, ela e outros membros do corpo docente também acreditavam que a administração não estava suficientemente sintonizada com as queixas sobre agressão sexual e assédio no campus.

“Para muitos de nós e para mim, a reação foi um grande alívio”, disse ela sobre a demissão. “Porque ele tem sido um líder tão arrogante e descartando as preocupações do corpo docente.”

Schlissel anunciou em outubro que renunciaria em junho de 2023, um ano antes do planejado originalmente, mas que continuaria trabalhando como conselheiro especial e presidente emérito. Esse contrato foi rescindido.

A remoção de Schlissel e a nomeação de Coleman serão confirmadas durante a sessão formal do conselho em 17 de fevereiro. Schlissel sucedeu Coleman como presidente em janeiro de 2014. Ele havia sido reitor da Brown University./AP e NYT

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