Richard Vogel/AP
Richard Vogel/AP

Universidade dos EUA pagará US$ 1 bi em indenizações por abusos sexuais de ginecologista

George Tyndall foi acusado por mais de 710 mulheres; acordo é o maior deste tipo já feito na história dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 22h17

LOS ANGELES - A Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, concordou em pagar mais de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,6 bi) a centenas de vítimas de abuso sexual por um ginecologista do câmpus, informou nesta quinta-feira, 25, uma advogada das denunciantes.

A instituição chegou a um acordo de US$ 842,4 milhões (aproximadamente R$ 4,7 bi) aprovado no Tribunal Superior de Los Angeles, disse a advogada Gloria Allred em um comunicado. Além disso, pagará outros US$ 215 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bi) em uma ação coletiva federal de 2018. "É o maior acordo contra uma universidade por abuso sexual na história dos Estados Unidos", afirmou Allred.

O ginecologista George Tyndall foi acusado de abusar de pacientes durante exames médicos ao longo de sua carreira de 30 anos, em um grande escândalo para a universidade. Ao todo, afirmaram os advogados, 710 mulheres iniciaram processos civis contra a USC nos tribunais da Califórnia.

As acusações contra Tyndall, que vão de toques inadequados a estupro, datam de 1990. A vítima mais jovem teria 17 anos. O médico, agora com 74 anos, também foi acusado de tirar fotos dos órgãos genitais das pacientes, tocar em seus seios e fazer comentários obscenos, racistas e homofóbicos.

De acordo com as denúncias, Tyndall tinha como alvo principalmente estudantes que faziam parte de minorias, incluindo alunas asiáticas.

As vítimas afirmam que a universidade não deu uma resposta adequada às acusações contra Tyndall, que não foi investigado pela USC até 2016 e foi autorizado a se aposentar graças a um acordo com a universidade.

Tyndall foi preso em junho de 2019 por 29 crimes relacionados a acusações de agressão e abuso sexual. Seis acusações adicionais foram anunciadas no verão passado (norte). 

"O tamanho desse acordo é prova do enorme prejuízo que as ações perversas de George Tyndall causaram às nossas clientes", afirmou o escritório de advocacia Manly, Stewart & Finaldi, que representa 234 dessas pessoas, em um comunicado. "Também mostra a culpa da USC por empregar Tyndall durante 30 anos e ignorar um grande número de queixas e evidências de seus delitos", acrescentou.

A USC chamou o acordo de "justo e razoável" e disse que encerrará o litígio no tribunal estadual. Seu conselho de curadores ratificou o acordo.

"Lamento profundamente a dor vivida por esses membros valiosos da comunidade da USC", disse a presidente da USC, Carol Folt, em um comunicado. "Agradecemos a coragem de todos os que se apresentaram e esperamos que esta resolução tão necessária forneça algum alívio às mulheres abusadas por George Tyndall."

Audry Nafziger, vítima de Tyndall quando era estudante de direito na USC, disse em um comunicado: "É minha sincera esperança que este acordo seja apenas o primeiro passo para servir à justiça contra George Tyndall e seus capacitadores na USC. "

Tyndall afirma ser inocente. Seu advogado, Leonard Levine, disse na quinta-feira que "continua a negar todas as acusações criminais". Levine disse que espera que um julgamento comece ainda este ano. Em resposta à declaração de Folt sobre o acordo, Levine disse que Tyndall "continua a negar toda e qualquer alegação e aguarda o seu dia no tribunal". /AFP e WP

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