Saul Loeb/AFP
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Universidade Johns Hopkins registra 500 mil mortos por covid nos EUA; Biden presta homenagem

Redução do número de novos casos dá esperança de recuperação no momento em que país chega ao meio milhão de mortos

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2021 | 18h53
Atualizado 23 de fevereiro de 2021 | 05h33

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, homenageou as vidas perdidas para a covid-19 nesta segunda-feira, 22, e ordenou que todos os edifícios federais do país, incluindo a Casa Branca, hasteiem a bandeira americana a meio mastro durante os próximos cinco dias em luto pelas 500 mil mortes no território americano, número alcançado hoje, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins.

Mesmo com a queda do número de casos de covid-19 nas últimas semanas, os Estados Unidos atingiram mais essa importante e triste marca. Segundo a universidade, até a noite desta segunda-feira, foram 500.071 mortos. O total de meio milhão de mortos já havia sido divulgado, no domingo, 21, por emissoras de TV americanas como a MSNBC e a NBC News, que realizam contagens próprias. Nenhum outro país teve tantas mortes na pandemia - que já matou mais de 2 milhões e 400 mil pessoas ao redor do mundo.

Ao prestar sua homenagem, Biden falou sobre a dor coletiva de uma nação. "As pessoas que perdemos foram extraordinárias. Elas se espalharam por gerações. Elas nasceram na América. Elas imigraram para a América", disse ele. "E, simplesmente assim, elas deram seu último suspiro sozinhas, na América."

Biden participou de um momento de silêncio e de uma cerimônia do lado de fora da Casa Branca acompanhado pela primeira-dama, Jill Biden, pela vice-presidente, Kamala Harris, e o segundo cavalheiro, Doug Emhoff.

Mais americanos morreram de covid-19 do que na 2.ª Guerra. De acordo com os dados do Museu Nacional da 2ª Guerra, em New Orleans, cerca de 418.500 militares e civis dos EUA morreram durante o conflito, que durou seis anos. A covid-19 matou mais que a guerra e em menos tempo. 

A data oficial da primeira morte nos EUA, segundo o reportado à época, é 29 de fevereiro. Posteriormente, descobriu-se que dois pacientes haviam morrido da doença antes, mas a data de referência seguiu sendo fevereiro de 2020 - o que significa que meio milhão de pessoas morreram em menos de um ano.

Dados do Johns Hopkins mostram que, enquanto foram necessários 84 dias para que se atingisse a marca de 100 mil mortes por covid-19 nos EUA - e outros 120 para se chegar a 200 mil mortes - foram necessários apenas 73 dias para que o número de óbitos saltasse de 300 mil (em 11 de dezembro de 2020) para 500 mil (em 22 de fevereiro de 2021). Foram 100 mil mortes a cada 36,5 dias no período.

A mortandade coincide com o aumento exponencial do número de casos entre o fim do ano passado e o começo deste ano. Após as festas de fim de ano - e com o inverno no hemisfério norte -, o índice de contágio atingiu a máxima de 299.786 novos casos de covid-19 no dia 2 de janeiro, segundo o Johns Hopkins.

Apesar da marca trágica desta segunda, o cenário no país começa a mudar. Depois dos níveis quase inimagináveis de centenas de milhares de novos casos por dia, a taxa de infecção caiu bruscamente nas últimas semanas. A campanha nacional de imunização vem sendo apontada como um dos motivos da redução, mas outros fatores como a adesão a regras de restrição por parte da população ou um padrão sazonal do vírus podem explicar a estatística.

As mortes também estão caindo. As fatalidades por covid-19 foram quase 30% mais baixas na semana passada do que na anterior, e as hospitalizações caíram 15%, segundo o jornal The Washington Post. Apesar disso, especialistas alertam que ainda há um longo caminho a percorrer nessa luta. O especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci advertiu que as máscaras ainda podem ser necessárias em 2022 e se recusou a prever quando o "normal" retornaria.

Mortes por covid-19 nos EUA:

29/02/2020 - 1ª morte confirmada

24/03/2020 - 1 mil mortes

22/04/2020 - 50 mil mortes

23/05/2020 - 100 mil mortes

20/09/2020 - 200 mil mortes

17/11/2020 - 250 mil mortes

11/12/2020 - 300 mil mortes

16/01/2021 - 400 mil mortes

22/02/2021 - 500 mil mortes

Fonte: Universidade Johns Hopkins

/ Com informações do The Washington Post, The New York Times e Universidade Johns Hopkins

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