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Universidades acirram campanha contra candidato da direita

BUENOS AIRES

O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2015 | 02h00

Corredores e paredes de universidades públicas argentinas transformaram-se no fim da campanha em espaço publicitário favorável ao candidato governista Daniel Scioli. Mais precisamente, contra o conservador Mauricio Macri.

Cartazes e pichações com o slogan "Pátria ou Macri" e o nome do opositor nas cores da bandeira americana são o recurso mais comum. Há variações como "Macri=fome", "Macri=ajuste" e "se Macri ganhar, essa universidade vai fechar". Trata-se de uma extensão da tática kirchnerista de ligar o rival à crise de 2001. A oposição denuncia uma "campanha do medo".

A direção da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA) apoiou Scioli formalmente ao alertar para "prováveis políticas de ajuste e mercantilização, inspiradas pelo neoliberalismo de um dos projetos no segundo turno".

Nos 12 anos no poder, o kirchnerismo criou 15 universidades federais, o que ajudou a evitar a migração de estudantes para as maiores cidades, Buenos Aires, Córdoba e Rosário. Aberta o disfarçadamente, esses novos centros recomendam o voto em Scioli. A professora Thelma Trotta, da Faculdade de Direito da UBA, já esteve num deles. "É preciso ser kirchnerista para conseguir emprego lá", garante.

Ao criticar o uso político dessas instituições, Macri cunhou em 2014 uma frase agora usada contra ele. "O problema não está em fazer mais universidades, algo que também critico muito. O que é isso de universidade em todos lados? Obviamente, são muito mais cargos para (o kirchnerismo) nomear", afirmou. Ele é acusado de não querer mais universidades.

"Acho que Macri pensa mesmo em privatizar", opina Agustín Bidegain, de 20 anos, aluno de direito na UBA. Segundo ele, a partidarização chegou à sala de aula. "Alguns professores fazem campanha aberta. Um apresentou propostas de privatização como tema de um trabalho, outros abrem voto para Scioli."

No saguão de sua faculdade, onde ontem houve o debate presidencial, só há cartazes contra Macri, embora a força estudantil de direita seja forte. Obteve 23% na última eleição acadêmica - à frente da kirchnerista La Cámpora e atrás da União Cívica Radical (UCR), que está na coalizão opositora presidencial.

Pela primeira vez, um presidente argentino virá de universidade privada - 77% dos universitários estão em uma pública. Macri fez engenharia e Scioli formou-se antes do primeiro turno em marketing. / R.C.

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