Tony Luong/The New York Times
Tony Luong/The New York Times

EUA: Trump desiste de deportar estudantes estrangeiros após processos de universidades

Administração republicana planejava suspender vistos de estudantes universitários internacionais no país que estivessem assistindo aulas apenas online e recuou durante o processo na Justiça

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 16h46
Atualizado 14 de julho de 2020 | 19h13

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos concordou nesta terça-feira, 14, em cancelar a suspensão de vistos para estudantes estrangeiros matriculados em universidades americanas que oferecem todos os seus estudos online, após uma ação judicial de 17 Estados, do Distrito de Columbia e de várias instituições de ensino superior.

Em uma audiência em Boston, no Estado de Massachusetts, onde a ação judicial apresentada pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) seria discutida, a juíza federal Allison Burroughs emitiu parecer favorável ao acordo entre o governo federal e instituições acadêmicas. 

A juíza anunciou a decisão durante uma audiência por teleconferência, segundo reportagem do site Politico. Ao ser acionado, o governo desistiu de retirar os vistos para esses estudantes universitários estrangeiros, como havia anunciado que faria. "As partes chegaram a uma solução. O governo concordou em anular a decisão", informou a juíza.

A audiência tinha sido marcada para durar 90 minutos, na expectativa de uma defesa acalorada das posições de ambos os lados, mas em menos de dois minutos o governo e as universidades concordaram em retirar a regra.

A resolução do caso significa que a Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) voltará às diretrizes de março, que permitem aos estudantes estrangeiros permanecerem no país mesmo que sua universidade opte por ministrar as disciplinas exclusivamente online durante a pandemia de coronavírus.

A resolução da disputa também substitui as ações judiciais interpostas pelo Estado de Nova York, universidades do Oeste do país, a Universidade John Hopkins, de Baltimore, e a coalizão de estados liderada pela Procuradora-Geral de Massachusetts, Maura Healey.

Também ficou sem causa a moção apresentada mais cedo pelo Procurador-Geral da Califórnia, Xavier Becerra, pedindo a intervenção do tribunal para bloquear a aplicação da suspensão do visto até que haja uma decisão judicial.

A Califórnia, o Estado com o maior sistema educacional do país, com 180 mil estudantes internacionais a cada ano, de acordo com a Procuradoria-Geral da República, seria um dos mais afetados pela iniciativa de Trump.

Muitas universidades planejam oferecer uma combinação de aulas online e presenciais para proteger a saúde dos professores, estudantes e comunidades vizinhas durante a pandemia, de acordo com o jornal The New York Times

Estudantes já estavam sendo barrados

De acordo com a agência Reuters, citando um documento judicial registrado no processo, estudantes estrangeiros já estavam sendo impedidos de ingressar nos EUA devido à regra do governo. O texto citou o caso de um aluno da Universidade DePaul que voltava da Coreia do Sul e foi barrado no Aeroporto Internacional de San Francisco. 

O documento foi apenas um de uma série de documentos apresentados pelas partes do processo.  

Há mais de 1 milhão de estudantes estrangeiros em universidades e faculdades dos EUA, e muitas escolas dependem da renda desses, que muitas vezes pagam mensalidades integrais./ EFE, AFP, NYT e Reuters  

 

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