Samuel Corum/EFE
Samuel Corum/EFE

Universidades vão à Justiça contra plano de Trump de suspender vistos de estudantes estrangeiros

Medida anunciada por Trump é vista como pressão sobre universidades para reabrirem o quanto antes

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 10h17

Universidades como Harvard e o Massachussets Institute of Technology (MIT) afirmaram nesta quarta-feira, 8, que entraram com uma ação contra o governo do presidente Donald Trump após uma determinação de retirar os vistos de estudantes estrangeiros nos EUA se os seus cursos passassem a ser ministrado apenas pela internet. 

A medida anunciada na segunda pela Casa Branca foi vista como um esforço para pressionar as universidades a reabrir e abandonar as abordagens cautelosas que muitas adotaram para reduzir a transmissão do coronavírus.

"A ordem veio sem aviso prévio - sua crueldade é superada apenas por sua imprudência", disse o presidente de Harvard, Lawrence Bacow, em mensagem à comunidade universitária. "Parece que a medida foi projetada propositadamente para pressionar as faculdades e universidades a abrirem suas salas de aula no campus neste outono, sem levar em conta preocupações com a saúde e a segurança de estudantes, professores e outros."

A medida de Trump pode reduzir drasticamente o número de estudantes internacionais matriculados no outono. Juntamente com os atrasos no processamento de vistos como resultado da pandemia, os advogados de imigrantes dizem que as novas regras, que ainda devem ser finalizadas este mês, podem desencorajar muitos estudantes estrangeiros de frequentar universidades americanas, onde costumam pagar a mensalidade integral.

Mas a preocupação de que seus campi possam se tornar aglomerados de disseminação de coronavírus levou muitas universidades a adotar medidas para reduzir a exposição - desde a exigência de máscaras nas salas de aula até a limitação de atividades sociais e a redução do número de estudantes. Outras anunciaram uma abordagem que teria aulas presenciais, mas uma quantidade significativa de cursos virtualmente.

Tais mudanças podem colocar em risco os vistos de estudantes estrangeiros, conhecidos como vistos F-1, de acordo com as novas regras. Os estudantes internacionais cujas universidades não estão planejando aulas presenciais - o que atualmente acontece em escolas como Harvard e a Universidade do Sul da Califórnia - seriam obrigados a retornar aos seus países se já estiverem nos Estados Unidos. Os estrangeiros não receberiam permissão para entrar no país para fazer cursos online.

Kenneth T. Cuccinelli II, vice-secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, disse em uma entrevista à CNN que o governo estava dando mais flexibilidade aos estudantes internacionais do que no passado, quando eles só podiam fazer um curso online para se qualificar para vistos. Agora eles podem conseguir mais, contanto que pelo menos parte de suas instruções seja presencial.

"Se eles não serão estudantes ou estarão 100% online, então eles não têm motivo para estar nos EUA", disse Cuccinelli, acrescentando: "Eles devem ir para casa e depois eles podem voltar quando a escola abrir.”

Trump - que está buscando a reeleição em novembro - tem um discurso contra a imigração irregular e recentemente suspendeu a maioria dos vistos de imigração, afirmando que dessa maneira protege o emprego dos americanos da crise causada pelo coronavírus.

No ano acadêmico de 2018 e 2019, havia mais de um milhão de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, de acordo com o Instituto de Educação Internacional (IIE).  / AFP e NTY 

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