Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Universitários na Venezuela pedem apoio de militares contra Maduro

Na capital Caracas, cerca de 200 estudantes chegaram a entregar um documento aos cadetes; em declaração, Maduro disse que gostaria de se reunir com os jovens

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 22h43

CARACAS - Estudantes universitários protestaram nesta quinta-feira, 21, em Caracas e pediram aos militares que retirem seu apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “Este é o momento de dar um passo adiante. Falamos de todas as maneiras”, disse, exaltado, o líder estudantil Rafael Punceles a cadetes que receberam um manifesto dirigido à cúpula das Forças Armadas.

Mais de 200 estudantes de instituições públicas e privadas se concentraram na estatal Universidade Central da Venezuela (UCV) para marchar até o Forte Tiuna, principal destacamento militar da Venezuela, mas só conseguiram avançar dois quilômetros. Uma barreira metálica instalada pela Guarda Nacional bloqueou o caminho, forçando uma comissão estudantil a entregar o documento aos cadetes.

“Também temos família a quem falta o que comer, a quem falta medicamentos”, disse um cadete aos estudantes, apesar de culpar a escassez ao “bloqueio econômico” e à “ingerência” dos Estados Unidos, que impuseram sanções contra o país produtor de petróleo.

“Eu estendo a mão a esses rapazes (...). Eles querem me derrubar. Está bem, me derrubem, mas, enquanto isso, enquanto não chega o dia em que vão me depor, deixem que chegue a ajuda para melhorar os refeitórios, os transportes, as bolsas e as condições da universidade. Depois me derrubem”, disse Maduro, cercado pela alta cúpula militar.

“Queria me reunir com eles”, acrescentou o presidente diante de centenas de jovens em outra marcha estudantil em apoio ao chavismo, que chegou ao seu destino, o Passeio Os Próceres, perto do Forte Tiuna.

A participação da mobilização opositora foi baixa considerando-se que na Venezuela há 2,8 milhões de estudantes universitários. Houve manifestações em outros Estados como Táchira e Lara (oeste). As manifestações em Caracas pró e contra Maduro, que teve como fundo o Dia do Estudante, estiveram perto de se cruzar, mas não foram registrados incidentes. 

A manifestação contra Maduro foi realizada atendendo ao apelo do líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países. Pelo Twitter, Guaidó manifestou seu apoio à luta para exigir aos militares “que se juntem à causa de todos os venezuelanos”. / AFP

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