REUTERS/Fredy Builes
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Uribe afirma que financiamento de guerrilha não é exclusividade da Odebrecht

Ex-presidente colombiano disse que acordo assinado com a guerrilha, do qual ele é um dos principais críticos, permitirá 'anistiar auxiliadores do terrorismo' como a construtora brasileira

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2017 | 10h29

BOGOTÁ - O líder da oposição na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe, disse no domingo que o "financiamento estrangeiro ao terrorismo", representado no país pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), não é exclusividade da construtora brasileira Odebrecht.

"Em nosso país o financiamento estrangeiro ao terrorismo não é exclusividade da Odebrecht. Farc e ELN, não contentes com sequestros, extorsão e narcotráfico, receberam suculentas quantias de fora", declarou o senador em um vídeo postado em sua conta no Twitter.

Uribe se referiu assim à revelação da revista "Veja" que assegura que a Odebrecht admitiu pagamentos às Farc na Colômbia na década de 1990 para realizar obras de infraestrutura "sem problemas".

Segundo o legislador, "a anistia aprovada para os auxiliadores do terrorismo deixará a Odebrecht impune", e acrescentou que as Farc "não terão que devolver o dinheiro, enquanto muitos colombianos serão levados à inquisição do terrorismo para serem julgados por terem sido extorquidos por paramilitares".

O ex-governante, de 64 anos, afirmou também que os pagamentos da Odebrecht às Farc se somam a outros fatores de ilegitimidade do acordo de paz assinado pelo governo colombiano e essa guerrilha em Bogotá no último dia 24 de novembro. Sobre o ELN, Uribe diz que o grupo recebeu pagamentos da multinacional Mannesmann, que então era uma das empresas que construía o oleoduto Caño Limón-Coveñas, que agora é o maior do país.

O ex-presidente colombiano garantiu também que o alemão Werner Mauss cobrava "resgates de empresas e cidadãos por sequestros deste grupo (ELN)", e foi aprisionado quando ele era governador de Antioquia, mas "sua impunidade foi pressionada pelo alto governo da Colômbia e pela chancelaria da Alemanha".

Na Colômbia, o agora ex-agente Mauss esteve preso junto a sua esposa Ida durante alguns meses, entre 1996 e 1997, após ter atuado como mediador na libertação de uma cidadã alemã sequestrada pelo ELN, mas finalmente foram declarados inocentes de todas as acusações.

Uribe, que se opôs ao acordo de paz com as Farc e pediu que se suspenda o processo que acontece no Equador com o ELN, concluiu dizendo que "fica comprovado que do estrangeiro não virão nos ajudar, somos nós, nas ruas e nas urnas, que temos que mudar o rumo da Colômbia". / EFE

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