Uribe ataca Farc em discurso de campanha

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão ameaçando os eleitores do interior do país que votarem por ele neste domingo. "Soube que as Farc andam dizendo aos camponeses que eles não poderão sair para votar se não for contra Uribe?, disse o presidente em um discurso para pequenos e médios empresários e produtores do país, no Centro de Convenções Gonzalo Jimenez de Quesada, em Bogotá, na quinta-feira à noite. ?O grave seria que falassem: votem por Uribe. Isso sim me preocuparia", afirmou sob aplausos. De terno escuro, falando pausadamente e sem pressa para deixar o local, Uribe mandou vários recados para os grupos guerrilheiros. Este foi seu último discurso antes das eleições, de acordo com seus assessores.Guerrilha?Eles já provaram o café da manhã e agora vão ter que provar o almoço se eu ganhar a reeleição?, ironizou, sob novos aplausos da platéia. "Acho que sou o presidente mais odiado pela guerrilha."Para Uribe, as Farc não têm mais ?desculpas? para seguir atuando. ?As Farc são terroristas porque assassinam a democracia?, atacou, no mesmo tom pausado, ?em outros países da região havia guerrilha, mas contra a ditadura, como ocorreu em El Salvador e no Cone Sul?.Uribe disse que está decidido ?a tudo? para acabar com as ações dos grupos armados, mas que se eles insistirem com o terrorismo, terão ?toda a firmeza da autoridade?. Ele voltou a dizer que, se reeleito, convocará as Farc para uma ?negociação de paz? - possibilidade que mencionou durante a campanha, mas que para analistas, como Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia, entre outros, é apenas um ?gesto eleitoral? e que dificilmente será levado à pratica.O presidente disse que em quatro anos de mandato seu programa de combate ao crime - ?Política e Segurança Democrática? - desativou grupos paramilitares e levou guerrilheiros a se entregarem. Negociação?Sou o presidente que mais mandou combater, mas também o que mais facilitou os acordos de paz com o ELN?, afirmou, em referência ao grupo de guerrilha Exército de Libertação Nacional. ?No meu governo, cerca de 30 mil paramilitares foram desmobilizados e mais de 7 mil guerrilheiros (se entregaram)". Segundo Uribe, hoje as Farc têm problemas para explicar suas ações perante o mundo. ?As Farc justificavam suas ações dizendo que atuavam porque existiam os grupos paramilitares. E o que vão dizer agora com os resultados que apresentamos??, desafiou. ?As Farc diziam que não fariam a paz porque não havia garantias para a oposição. E o que vão dizer agora que mostramos que existem garantias para as eleições como as que ocorreram ultimamente, sem violência?? O pai de Uribe morreu em 1982, segundo a imprensa colombiana, num atentado deste grupo guerrilheiro que tem página na internet informando seus 42 anos de existência.Entre as medidas do programa de segurança do atual presidente incluem-se recompensa para os soldados que capturarem guerrilheiros, recompensa para os que denunciarem participantes da guerrilha, a redução da pena para os que se entregarem e a promessa de que não serão extraditados para os Estados Unidos, cumprindo pena na própria Colômbia - esta última medida vem sendo questionada pelos juristas do país e organismos internacionais.

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