Uribe cogitou atacar Venezuela, diz documento dos EUA

Colombiano planejava conter 'expansão do bolivarianismo' de Chávez na América Latina

Agência Estado

13 de dezembro de 2010 | 16h29

BOGOTÁ - O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, considerou uma ação militar contra a Venezuela em 2008 se o presidente venezuelano, Hugo Chávez, expandisse sua agenda socialista na América Latina, revela um telegrama diplomático dos EUA. O documento liberado recentemente está entre os 250 mil telegramas americanos que foram publicados pelo website WikiLeaks.

 

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"A melhor contenção a Chávez, na visão de Uribe, permanece a ação - incluindo o uso de meios militares", escreveu o embaixador americano em Bogotá, William R. Brownfield, em um documento que descreve uma reunião entre Uribe e o principal militar do governo dos EUA, o almirante Mike Mullen, em 17 de janeiro de 2008.

 

Uribe, um resoluto aliado dos EUA, disse que Chávez tinha "um plano para avançar sua agenda bolivariana (socialista) em cinco a sete anos" a regiões da América do Sul e expressou preocupações de que o líder venezuelano usaria insurgentes da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para ajudá-lo, consta no texto do documento.

 

"Uribe disse que Chávez havia se comprometido a derrubá-lo ao usar a insurgência das Farc dentro da Colômbia", afirma um trecho do documento, assinado pelo então embaixador dos EUA na Colômbia.

 

Uribe parecia particularmente consternado com a ameaça de Chávez em mudar a designação das Farc de organização terrorista para "status beligerante" e procurou ajuda norte-americana para "convencer os países da América Latina de que a abordagem de Chávez às Farc estava errada e prejudicaria a Colômbia e a democracia na região", revela o documento.

 

Uribe afirmou "que estava preparado para autorizar os militares colombianos a cruzarem a fronteira para dentro da Venezuela, deterem líderes das Farc e trazê-los de volta para julgamento na Colômbia" e que seu país colocou prioridade em atingir "alvos de alto valor".

 

Equador

 

Apenas seis meses após o documento americano ter sido escrito, Uribe aprovou um ataque contra um acampamento clandestino das Farc no norte do Equador, próximo à fronteira sul da Colômbia, no qual foram mortos 25 insurgentes da guerrilha, incluído o número dois na liderança da organização, Raúl Reyes.

 

O ataque surpresa levou ao ponto máximo as tensões regionais e provocou um impasse nas relações diplomáticas entre Colômbia e Equador, que foram restauradas 20 meses mais tarde. As informações são da Dow Jones.

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