Uribe: Colômbia não provocará incidentes com Venezuela

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, assegurou na sexta-feira à noite que, embora seja grave a destruição de duas pequenas pontes artesanais na fronteira por militares da Venezuela, Bogotá não provocará nenhum incidente com o país vizinho.

BOGOTÁ, Agencia Estado

21 Novembro 2009 | 10h54

"Isso é grave, o que ocorreu", disse Uribe em entrevista à rádio colombiana RCN. Mas, acrescentou, "dei uma instrução ao governo da Colômbia: nada de provocações verbais. Nada de desafios verbais. O que se tem que fazer é, embora não haja diálogo bilateral, ir aos organismos internacionais... Nós não podemos produzir neste momento nenhum gesto de provocação".

Mas o colega venezuelano, Hugo Chávez, sinalizou que as pontes eram, além de artesanais, ilegais, e considerou que a Colômbia e certos segmentos da mídia no país engrandeceram o ocorrido.

"Neste momento, na Europa por exemplo, seguramente os europeus acreditam que Chávez mandou pelos ares uma ponte parecida com a de Brooklin ou a... como se chama?... a Golden Gate. ''Chávez está mandando pontes para os ares''", ironizou o presidente venezuelano, em discurso transmitido pela televisão. "São passos ilegais, passos ilegais que temos, bem, desmontado, neutralizado, destruído há anos por todos os lados", acrescentou.

Chávez disse que a destruição das pontes foi uma mera tarefa "de rotina" do Exército venezuelano, para combates distintas atividades de tráfico ilegal.

Mas diante das críticas de Chávez, Uribe disse que é "muito mal ouvinte" e que, pela dignidade nacional colombiana, a "prudência do governo e do presidente" eram inesgotáveis.

"Não temos interesse de propor desafios, de propor guerras à comunidade internacional, muitos menos a nossos vizinhos e irmãos... Não temos nenhuma pretensão contra a comunidade internacional, muito menos contra o povo irmão da Venezuela", assegurou Uribe.

"Tenho um defeito para o canto, mas que resulta em uma qualidade para a política: sou muito surdo. E, além disso, como conheço meu temperamento, tem coisas que não posso ouvir", disse Uribe, acrescentando que colocou "em quarentena" o gênio ruim "pelo ofício da presidência".

As tensões entre Bogotá e Caracas, surgidas por causa da aliança militar entre Colômbia e Estados Unidos e que a Venezuela considera uma "ameaça" a sua segurança e da região, já tiveram diversos capítulos, incluindo a queda das importações Venezuelas de produtos colombianos, de carne e leite a automóveis.

Em seu discurso, Chávez disse que o país tem "engolido areia e pregos nesta relação com o governo da Colômbia nos últimos anos... alguns me pedem paciência. Mais paciência? Que eu reflita? Todos os dias eu reflito".

De qualquer forma, o presidente venezuelano assegurou que não queria que as diferenças com a Colômbia virassem um conflito maior. "Eu iria chorando a uma guerra com a irmã Colômbia, mas não somos nós que estamos ou que temos em nossas mãos a possibilidade de fazê-la ou não fazê-la, de concretizá-la ou de evitá-la", disse ele. "Não, nem mesmo é a Colômbia. Não, é o império norte-americano. Porque Uribe simplesmente entregou a Colômbia ao império. O governo de Colômbia hoje está em Washington. Essa é a mais pura verdade. Vocês não têm governo hoje", acrescentou.

Em Washington, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que "além da intenção das ações executadas, o aumento da violência contribui para a instabilidade da região e cria a possibilidade de incidentes maiores".

Insulza afirmou que a Cúpula Amazônica, em Manaus, ou a Conferência Ibero-americana, em Estoril, Portugal, nas próximas semanas, serão cenários "propícios para esse diálogo". As informações são da Associated Press.

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