Uribe comparou Chávez a Hitler, revela WikiLeaks

Documento revela que EUA consideram venezuelano uma ameaça à sua influência na América Latina

Efe

11 de dezembro de 2010 | 12h29

MADRI - O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que o líder venezuelano Hugo Chávez "é uma ameaça para a América Latina comparada a Hitler na Europa", segundo documentos revelados neste sábado, 11, pelo site WikiLeaks, de acordo com o jornal espanhol El País.

 

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A comparação foi feita por Uribe durante uma reunião com sete senadores dos EUA e com a equipe diplomática americana em Bogotá, segundo um documento diplomático datado de 2007. "Chávez é uma mescla de alguém com sonhos imperiais e bêbado de socialismo", disse Uribe ao embaixador americano.

 

Em outro documento, o ex-presidente colombiano sugere que Chávez poderia usar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) "como sua milícia dentro da Colômbia para derrubar o governo democrático". Os documentos demonstram "o interesse americano em se envolver na identidade do ex-tenente", cujo projeto político, dizem, "desaparecerá se perder o poder".

 

Um dos relatórios enviados ao Departamento de Estado dos EUA tem a opinião de um psiquiatra, que avalia os medos e privações de Chávez desde sua infância e diz que ele teme "a rejeição e o anonimato".

 

A embaixada americana em Caracas, por sua vez, comunicou o Departamento de Estado que "o fenômeno do bolivarianismo ameaça a influência dos EUA na América Latina". "Seja canalizando armas e verbas para as Farc, enviando dinheiro à campanha de (Néstor) Kirchner à Argentina ou exportando o chavismo para os países da Alba (Aliança Bolivariana de Nações), Chávez e sua ambição financiada pelos petrodólares são um competidores dos EUA na região", diz o documento.

 

Chávez e Uribe são adversários históricos. Sob suas gestões, Venezuela e Colômbia enfrentaram diversas crises diplomáticas a respeito do narcotráfico e da segurança das fronteiras. Um acordo para que os EUA instalassem bases militares no território colombiano gerou fortes atritos entre os países, que agora passam por um período de calmaria devido à postura conciliatória de Juan Manuel Santos, novo presidente colombiano.

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