Uribe critica comentários de Lula sobre crise com a Venezuela

Presidente colombiano 'deplora' comentários de Lula, que disse que conflito entre dois países é apenas 'verbal'.

Claudia Jardim, BBC

29 de julho de 2010 | 15h51

No mesmo dia em que chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reúnem para tentar encontrar uma saída para a crise entre Colômbia e Venezuela, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse, nesta quinta-feira, "deplorar" os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o conflito entre os dois países não vai além do enfrentamento "verbal".

"(O presidente da República) deplora que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com quem cultivamos as melhores relações, se refira à nossa situação com a Venezuela como se fosse caso de assuntos pessoais", afirmou Uribe por meio de um comunicado divulgado pela Presidência da Colômbia.

Uribe diz ainda que Lula emitiu comentários "ignorando a ameaça que representa para a Colômbia e (para o) continente a presença dos terroristas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)".

No comunicado, Uribe reitera as acusações contra a Venezuela, afirmando que "a única solução que a Colômbia aceita (para solucionar a crise) é que não se permita a presença dos terroristas das Farc e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em território venezuelano".

Na quarta-feira, em referência ao conflito entre os vizinhos, Lula disse que era "tempo de paz e não de guerra" e que ainda não tinha visto conflito entre os dois países, além da disputa verbal.

"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina", afirmou Lula.

"Temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia, porque são dois países importantes para nós da América do Sul, são duas grandes economias, são dois países que têm grandes fronteiras", acrescentou.

Tensão

O presidente Lula se reunirá no dia 6 com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e, em seguida, viajará à Colômbia para a posse do presidente eleito do país, Juan Manuel Santos.

Nesta quinta-feira, os chanceleres da Unasul se reúnem em Quito, no Equador, para tentar encontrar uma saída para o conflito entre Caracas e Bogotá.

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, adiantou em entrevista a um canal local que o grupo poderá criar uma comissão que acompanhe a distensão entre os vizinhos.

Durante esta semana, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, visitou sete países da região para elaborar um "plano de paz" para a Colômbia.

A proposta foi qualificada como "intromissão em assuntos internos" pelo governo Uribe e uma medida para dar "oxigênio" às guerrilhas.

O conflito entre Colômbia e Venezuela teve início há uma semana, quando Bogotá apresentou ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) supostas provas sobre a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.

Em seguida, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou de mentirosas as acusações e rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.

Para Chávez, as acusações são parte de uma "desculpa" para justificar uma intervenção armada da Colômbia em seu país, que a seu ver, conta com o apoio dos Estados Unidos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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