Uribe depõe sobre ajuda milionária a Santos

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe compareceu ao Ministério Público de seu país para depor sobre as denúncias de um suposto aporte milionário de um assessor político seu para a campanha de 2010 de seu sucessor, o atual chefe de Estado da Colômbia, Juan Manuel Santos.

AE, Agência Estado

13 Maio 2014 | 16h22

"Venho ao MP sem garantias. Eu tenho ido à justiça desde 7 de agosto de 2010 e o faço agora, apesar de ainda não ter garantias", disse.

Um dia antes, o ex-chefe de Estado tinha se recusado a colaborar sob o argumento de que tanto o procurador-geral quanto o vice-procurador deveriam declarar-se impedidos de atuar no caso. Segundo Uribe, ambos já teriam manifestado suas opiniões em declarações à imprensa. Ele disse ainda que a informação que detém será passada para a Procuradoria-Geral.

O MP informou que Uribe foi citado como testemunha - e não como investigado - no caso da denúncia sobre a contribuição de dois milhões de dólares de Juan José Rendón para a campanha de 2010 de Santos.

Ontem, Rendón negou que tenha feito a contribuição e classificou a hipótese como "irracional", já que era consultor de Santos na campanha. O conselheiro teve que renunciar ao cargo na semana passada depois que se tornou pública a informação de que um traficante de drogas nos Estados Unidos fez uma doação de 12 milhões de dólares para que ele fizesse o intermédio entre autoridades colombianas e um grupo paramilitar de narcotraficantes.

Ainda de acordo com Uribe, o procurador-geral e o vice-procurador desqualificaram seus argumentos "com uma velocidade incomum". "O presidente Juan Manuel Santos pediu ao Ministério Público para me forçar a comparecer", acusou.

Na semana passada, além da demissão de Rendón, foi noticiada a prisão de um homem que, de acordo com o procurador-geral Eduardo Montealegre, aparentemente estava espionando e-mails do atual presidente e de alguns porta-vozes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que tratavam sobre o processo de negociação de paz. O suspeito trabalhava na campanha do candidato do movimento Centro Democrático, o ex-ministro da Fazenda Oscar Ivan Zuluága.

As últimas pesquisas apontam para um segundo turno entre Santos e Zuluága, candidato de Uribe. As eleições estão marcadas para o dia 25. Se houver segundo turno, a votação ocorrerá em 15 de junho. Fonte: Associated Press.

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