Uribe deve ajudar hoje a eleger seu ex-ministro

Na esteira da alta popularidade de Álvaro Uribe - que em 2008 chegou ao pico de 80% de aprovação e deve terminar o mandato com 70% -, o ex-ministro da Defesa e um dos mais polêmicos personagens da política colombiana, Juan Manuel Santos, é o favorito para tornar-se hoje presidente da Colômbia. As últimas pesquisas indicam que Santos obterá em torno de 65% dos votos, quase o dobro do rival do Partido Verde, Antanas Mockus.

RENATA MIRANDA, Agência Estado

20 de junho de 2010 | 07h43

Propondo unidade nacional e sob o compromisso de dar continuidade à política de segurança de Uribe, Santos contrariou as pesquisas no primeiro turno do dia 30 - que indicavam um empate técnico entre ele e Mockus. Obteve arrasadores 46,5% dos votos, diante dos 21,5% de Mockus.

Quase ninguém duvida da vitória dele hoje - especialmente depois de uma operação ordenada por Uribe e anunciada na semana passada, que resgatou quatro militares dos cativeiros da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Como ex-ministro da Defesa de Uribe, Santos facilmente se identifica com a bem-sucedida política de segurança democrática de seu mentor político, que acuou a guerrilha e desmobilizou paramilitares. A estratégia de Uribe, apoiada por milhões de dólares do convênio militar com os EUA, reduziu os assassinatos, massacres e sequestros - que caíram de mais de 2 mil ao ano, no início dos anos 2000, para duas centenas nos dias atuais.

A candidatura de Santos também se beneficiou do fato de, durante a campanha para o segundo turno, Mockus ter mudado de estratégia e começado a atacar seu oponente. A mudança não foi bem recebida pelos eleitores e comentaristas políticos, que afirmaram que "o pior rival de Mockus" era ele mesmo.

Herança política. Se confirmar o favoritismo nas urnas, Santos terá uma base de apoio de 232 dos 268 deputados da Câmara, ou 86% do total de cadeiras da Casa, garantindo ao candidato carta branca para apoiar reformas importantes e até mesmo mais polêmicas, como possíveis mudanças na Constituição.

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