Uribe é acusado de comprar votos

Na véspera da votação sobre referendo que permitiria nova reeleição, opositor denuncia suborno de congressistas

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

Na véspera da data prevista para a votação na qual a Câmara dos Representantes colombiana decidirá se aprova ou não o referendo sobre a segunda reeleição presidencial, a oposição acusou o governo do presidente Álvaro Uribe de subornar congressistas para obter apoio ao projeto. A denúncia foi feita por Rafael Pardo, pré-candidato presidencial pelo Partido Liberal, e o procurador-geral da Colômbia, Alejandro Ordóñez, prometeu investigá-la. Segundo Pardo, nos últimos três meses o governo liberou US$ 100 milhões para obras em 52 municípios cujos contratos teriam sido negociados por congressistas e incluiriam comissões ilegais."O Ministério do Interior ordenou a construção de 52 Câmaras de Vereadores com a intenção de mudar os votos dos congressistas. Sobre isso não há dúvidas", disse Pardo. Na semana passada, o também pré-candidato à presidência Germán Vargas Lleras, do partido Cambio Radical, disse que vários congressistas estariam sendo "seriamente pressionados a votar" a favor do referendo. A consulta popular é impulsionada por partidários de Uribe para permitir que ele possa se candidatar ao terceiro mandato em 2010. O projeto passou no Senado na semana passada e se for aprovado pela Câmara dos Representantes na votação prevista para hoje, ainda terá de obter o aval da Corte Constitucional - o que pode levar até três meses. Para passar na Câmara, o referendo precisa de 84 votos - a maioria dos 166 deputados. Segundo Edgar Gómez, presidente da Casa, se não houver o quórum necessário para a votação, ela será reconvocada para quarta-feira, "até que uma decisão seja tomada"."Não me atrevo a prognosticar o resultado. Há muita incerteza e não vejo essa convicção (dos deputados em votarem sim)", disse Pedro Pereira, do Partido Conservador, oficialista, que pretende votar a favor do projeto.APEGO AO PODERUribe foi eleito pela primeira vez em 2002. No ano seguinte, promoveu um referendo para permitir a primeira reeleição e foi derrotado, mas não desistiu. Com folgada maioria no Congresso, ele conseguiu que os deputados e senadores aprovassem em 2004 uma reforma constitucional introduzindo a mudança. A medida foi validada em 2005, após 18 contestações na Corte Constitucional, o que permitiu a Uribe obter seu segundo mandato com 62% dos votos em 2006.No ano passado, porém, a ex-deputada Yidis Medina foi presa e dezenas de congressistas e ex-congressistas começaram a ser investigados por suspeitas de que teriam vendido seus votos para aprovar a primeira reeleição. E com base nesse precedente, a Corte Suprema de Justiça também já abriu um processo para avaliar se houve irregularidades na recente aprovação do referendo sobre o terceiro mandato no Senado.Apesar de Uribe nunca ter confirmado se será candidato em 2010, nos últimos meses ele tem destacado a necessidade de dar continuidade à sua política de "segurança democrática", que reduziu sensivelmente o número de sequestros, assassinatos e a área de influência da guerrilha na Colômbia. Entre os obstáculos para o seu terceiro mandato está a pressão internacional contra o projeto. Em junho, durante uma visita de Uribe aos EUA, o presidente americano, Barack Obama, disse que "oito anos no poder são suficientes para um presidente".

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