Uribe e Chávez buscam acordo com Farc

Venezuelano visita colombiano e anuncia que receberá representante da guerrilha para discutir troca de prisioneiros

Efe e Ap, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2001 | 00h00

Após uma reunião de mais de sete horas com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, o líder venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que receberá um representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para, com autorização de Bogotá, discutir com ele as possibilidades de um acordo humanitário. O anúncio é uma vitória para o venezuelano, que está conseguindo firmar-se como mediador das negociações do governo colombiano com as Farc a respeito da libertação de 45 reféns políticos em poder da guerrilha. "Estou otimista porque o presidente Uribe viu com bons olhos que eu receba na Venezuela um enviado das Farc para falar sobre o tema. Isso é imprescindível", disse Chávez. "Esperávamos uma resposta direta (das Farc) e ela chegou durante a madrugada. Não posso antecipar detalhes, porque devemos agir com muita calma e paciência." Segundo o venezuelano, também participará da reunião o alto comissário do governo colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo. O encontro com Uribe ocorreu numa fazenda ao norte de Bogotá, depois do qual os dois presidentes deram uma entrevista coletiva. Chávez disse que propôs às Farc a entrega dos seqüestrados em território venezuelano, mas a proposta não foi aceita. Ele também afirmou que há a possibilidade de que o representante da guerrilha a viajar para Caracas seja um membro do secretariado da guerrilha. "Eu sou militar e sei que é preciso falar diretamente com os chefes", disse, justificando por que gostaria de receber o líder máximo das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (Tiro Certeiro). Segundo Chávez, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, solicitou que ele peça às Farc uma prova de vida da franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-candidata às eleições presidenciais na Colômbia, seqüestrada em 2002. De acordo com fontes oficiais, participaram da reunião Restrepo, os chanceleres dos dois países e a senadora opositora colombiana Piedad Córdoba, simpatizante de Chávez. A embaixada venezuelana divulgou que, após o encontro com Uribe, Chávez se reuniria com parentes de reféns do grupo guerrilheiro.IMPASSEAs Farc dizem-se dispostas a trocar os 45 reféns políticos por 400 rebeldes detidos em prisões colombianas. No entanto, exigem que as regiões dos municípios de Pradera e Florida sejam desmilitarizadas para servir como sede das negociações, condição que o governo colombiano se recusa a aceitar.A oferta de mediação de Chávez tornou-se oficial há duas semanas, a pedido de Piedad, nomeada por Uribe como interlocutora no diálogo com as Farc. Desde então, o líder venezuelano já se encontrou, em Caracas, com parentes dos seqüestrados e dos guerrilheiros e disse ter feito contato com Tirofijo.Na quinta-feira, o presidente venezuelano também anunciou o indulto a 41 supostos paramilitares colombianos presos na Venezuela em 2004, acusados de conspirar contra seu governo. O gesto, segundo analistas, seria uma demonstração de boa vontade para com o governo colombiano. Logo após a chegada de Chávez a Bogotá, autoridades venezuelanas anunciaram que entregarão hoje, para funcionários do governo colombiano, os 41 paramilitares indultados. A entrega será feita na localidade de San Antonio, no Estado fronteiriço de Táchira, e será acompanhada pelo ministro do Interior venezuelano, Pedro Carreño. Segundo Piedad, Chávez deve se encontrar "em breve" com Rodrigo Granda, considerado "chanceler" das Farc, que foi libertado recentemente pelo governo colombiano para tentar facilitar o diálogo com a guerrilha. Em 2004, a captura de Granda em Caracas por forças de segurança venezuelanas contratadas por Bogotá desatou uma grave crise diplomática entre os dois países. Antes da oferta para mediar o conflito, Chávez era visto por muitas autoridades colombianas como uma ameaça para o combate à guerrilha e ao narcotráfico. O presidente venezuelano é acusado de dar apoio e abrigar integrantes das Farc em seu território. No início do ano, o chanceler Araújo, um ex-refém das Farc, disse que os guerrilheiros vêem no venezuelano um líder ideológico. Após receber um puxão de orelhas de Uribe, o chanceler teve de desculpar-se.

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