Uribe enfrenta primeira greve nacional de seu mandato

O presidente Alvaro Uribe enfrenta hoje, sob estritas medidas de segurança, a primeira greve nacional de trabalhadores estatais e camponeses contra as reformas econômicas de sua administração. Embora o governo tenha em princípio se mostrado contrário às marchas por temor a infiltrações da guerrilha, finalmente aceitou o protesto, que se realiza quando Uribe completa apenas 40 dias no poder. "A situação no país é de absoluta calma", tanto nas estradas como nas cidades, disse o chefe da Polícia Nacional, general Teodoro Campo. No entanto, o tráfego nos principais aeroportos do país sofreu atrasos nesta manhã devido à suspensão das atividades dos controladores aéreos. "Aplicamos medidas de contingência para garantir a normalidade", disse o diretor da Aeronáutica Civil, Juan Carlos Vélez. "Neste momento, os aeroportos já estão todos funcionando normalmente". As autoridades estão utilizando controladores da Força Aérea para manter as operações, cujo atraso afetou cerca de 24 mil passageiros. Em Bogotá, cerca de 3 mil pessoas ligadas às centrais sindicais iniciaram uma marcha com cartazes e apitos até a Praça Bolívar, a uma quadra de distância do Palácio Presidencial. "Não só as balas matam, a fome também", dizia um dos cartazes. "Estamos protestando contra o inaceitável capitalismo selvagem do presidente Uribe", disse Pedro Salvador, um aposentado de 65 anos. Segundo o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores Democráticos da Colômbia (CGTD), Julio Roberto Gómez, o objetivo fundamental do movimento é "chamar a atenção do governo sobre a inconveniência dos projetos de lei que tem apresentado". Atualmente, o governo tem no Congresso três reformas econômicas: a trabalhista, para flexibilizar o mercado de trabalho; a previdenciária, para acabar com privilégios e aumentar a idade da aposentadoria; e a do Estado, para eliminar entidades inoperantes. As autoridades sustentam que tais reformas permitirão reduzir o desemprego nacional, que chega a 16%, e poupar recursos para enfrentar o déficit fiscal que este ano alcançará 3,5% do PIB. No entanto, Gómez disse que se trata de "medidas recessivas", que agudizarão os problemas da classe trabalhadora. Considera-se que só a eliminação de entidades estatais provocará o fechamento de milhares de postos de trabalho. O opositor Partido Liberal, o maior da Colômbia, expressou em um comunicado seu apoio à greve de 24 horas, "diante da grande tragédia social que vive o país". Os organizadores acreditam que cerca de 700 mil trabalhadores dos setores da saúde, educação, justiça, petróleo, telecomunicações - além dos funcionários municipais, entre outros - deverão somar-se à greve promovida sob o estado de comoção interna, que facilita as detenções de pessoas suspeitas.Os camponeses da zona rural também aderiram ao protesto. Os grandes ausentes do movimento são os trabalhadores do setor de transportes - o que deu um ar de normalidade ao dia de greve.

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