Uribe inicia último ano de poder

Presidente colombiano ainda não descarta 3.°mandato

AFP, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

10 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, iniciou na semana passada o último ano do seu segundo mandato num ambiente político interno que poderá inviabilizar uma eventual segunda reeleição e enfrentando uma crescente hostilidade dos vizinhos por causa da sua estreita colaboração militar com os Estados Unidos.A advertência é de vários analistas. Segundo eles, outro fato que não vai ajudar o governo nos próximos doze meses é a crise econômica, que vem afetando os colombianos e que pode se aprofundar, dependendo das consequências comerciais decorrentes das tensões diplomáticas da Colômbia com a Venezuela e o Equador. Além disso, apesar das relações estreitas com os EUA, Uribe não conseguiu que o Congresso americano aprovasse um tratado de livre comércio (TLC) firmado pelos dois países em dezembro de 2006. Segundo Sandra Borda, professora de ciências políticas da Universidad de Los Andes, de Bogotá, "o Pentágono e a Secretária de Comércio dos EUA são duas coisas totalmente diferentes", e parece que Uribe confundiu os assuntos. Uribe, que assumiu o governo em 7 de agosto de 2002, foi reeleito para um segundo mandato de quatro anos mediante uma controvertida reforma constitucional. Agora, vem insistindo na realização de um referendo com vistas a obter um terceiro mandato, embora não admita publicamente a sua intenção. A convocação do referendo enfrenta dificuldades no Congresso porque, apesar de a bancada oficialista ser maioria, existem profundas divisões internas; e a Suprema Corte de Justiça está investigando 86 congressistas por irregularidades no procedimento. "O processo está complicado", adverte o analista e colunista León Valencia, enquanto que para Marco Romero, catedrático da Universidade Nacional , "apesar de Uribe ser muito aceito pela opinião pública, um número cada vez maior de partidários é contra sua reeleição". Mas se o referendo fracassar, alguns setores oficialistas propõem outros mecanismos que, segundo os dois acadêmicos, serão inconvenientes para um futuro governo de Uribe. No campo internacional, este último ano de governo também parece que vai ser complicado para o presidente colombiano. "Haverá uma radicalização das posições dos vizinhos (Venezuela e Equador), por causa do acordo que Uribe negocia com os EUA para militares americanos usarem sete bases colombianas", prevê Enrique Serrano, professor de relações internacionais da Universidad del Rosario de Bogotá. Já a professora Sandra Borda observa "um distanciamento da Colômbia dos demais países da região e um clima abertamente hostil em relação a Uribe". "Este último ano que resta ao presidente é muito difícil: Uribe vai enfrentar um isolamento internacional, recessão econômica e disputas políticas em torno da reeleição", resumiu Marco Romero.

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