Uribe lança novo programa de segurança para a Colômbia

O presidente recém-empossado da Colômbia, Alvaro Uribe, lançou nesta quinta-feira um plano de segurança que busca converter os cidadãos em "soldados e policiais de apoio", para colaborar com informações que possam prevenir ataques, seqüestros e massacres. O plano tem o objetivo de "recuperar a paz", segundo Uribe. O anúncio foi feito um dia depois que pelo menos 19 pessoas morreram e 69 ficaram feridas durante os ataques explosivos - atribuídos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que marcaram a posse do novo presidente, em Bogotá. Uribe afirmou que, embora a adesão ao plano seja voluntária, os "policiais e soldados de apoio", como os definiu, poderão receber uma pequena remuneração. "Se todos nos envolvermos e nos aplicarmos, poderemos conter os atos violentos", afirmou. Sobre a possibilidade de os informantes serem alvo dos grupos armados, Uribe garantiu que quanto mais crescer a rede de apoio, mais invulnerável se tornará a força pública. "Se tivermos um, dois ou dez, eles matam. Mas se tivermos 100 mil e chegarmos a um milhão e todos cooperarmos, salvamos a vida de todos", afirmou. Segundo o presidente, dentro deste esquema a força pública terá de responder prontamente aos alertas dos informantes, sem importar as dificuldades para chegar ao local onde ocorrer a emergência. Uribe também pediu ao Exército e à polícia que se empenhem em ganhar a confiança da população com "bom trato e eficiência". Militarização A iniciativa de criar uma rede de informantes desperta temores nas organizações humanitárias, que temem que a militarização da sociedade civil possa levar à deterioração da grave questão dos direitos humanos. Uribe chegou ao poder com a promessa de usar pulso firme contra a guerrilha, embora também não descarte as negociações, desde que estes grupos aceitem um cessar-fogo. Em Washington, o presidente George W. Bush, de quem Uribe recebeu expresso apoio, condenou hoje o "abominável" ataque lançado pelos rebeldes durante a posse do novo presidente colombiano e reiterou seu desejo de trabalhar "ao lado do povo da Colômbia em sua luta contra o terror". Depois de apresentar, em nome do povo dos EUA, as condelências às famílias das vítimas dos ataques, Bush disse que "os terroristas na Colômbia expressaram claramente seus objetivos: matar as aspirações do povo colombiano de um Estado livre, próspero e democrático". Bush acrescentou que os EUA também apóiam "os esforços do presidente Uribe para levar os assasinos à Justiça". Pouco antes, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Reeker, havia dito que o ataque de ontem tinha a marca das Farc - um dos três grupos colombianos considerados terroristas pelo departamento, e que foram tidos como alvos da recém-aprovada ajuda militar americana à Colômbia em sua luta contra os combatentes ilegais.

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