Uribe nega ter recebido doação eleitoral do narcotráfico

Presidente rebateu acusações de traficante, que "prejudicam imagem da Colômbia"

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h06

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, negou nesta terça-feira, 19, que durante a sua campanha eleitoral de 2001 tenha recebido dinheiro de "origem duvidosa", após insinuações feitas nesta semana pelo narcotraficante foragido Fabio Ochoa Vasco, sobre o suposto apoio financeiro dos paramilitares ao mandatário da Colômbia. Uribe disse nesta terça-feira que decidiu responder às declarações de Ochoa "pelo temor que as declarações desses delinqüentes, que fogem da justiça, que estão na clandestinidade e foragidos, prejudiquem a imagem da Colômbia na cena internacional". Segundo ele, em 2001, "tomamos todas as medidas para evitar que a campanha recebesse dinheiro de origem duvidosa ou de criminosos e anunciamos que a única pessoa que poderia receber dinheiro para a campanha era o doutor Fabio Echeverri". Uribe acrescentou que consultou a chamada "lista Clinton", elaborada na época do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e que inclui empresas vinculadas à atividade financeira do narcotráfico, para que "os que doaram fundos para a campanha não tivessem nenhum problema com a justiça", dos Estados Unidos. Ochoa disse em entrevista à revista Semana que sabia do apoio dos paramilitares a Uribe por causa da antiga amizade que tinha com o comandante das milícias de extrema direita, Salvatore Mancuso, com quem trabalhou durante vários anos, mas com quem brigou a partir de 2005. As autoridades americanas oferecem US$ 5 milhões a quem entregar Ochoa à justiça dos EUA. Ochoa disse que em março de 2002, "quando Uribe começou a cambalear nas pesquisas de intenção de voto, chegou uma caminhonete de Bogotá e desceram dois homens, de uns 38 e 45 anos. Mancuso ordenou a seus homens que carregassem na caminhonete Hilux três malas cheias de notas de cem dólares," afirmou à revista. Mancuso declarou recentemente à Rádio W: "Entreguei dinheiro aos comitês para que mobilizassem a população e votassem, mas basicamente nunca a favor do presidente", embora afirmasse que se identificavam com a ideologia de Uribe. A justiça dos EUA também pede a extradição de Mancuso por narcotráfico, mas o governo colombiano não a concede, porque o ex-chefão se submeteu ao processo de paz. "Nós comandávamos 17% do narcotráfico de Córdoba e Catacumbo, uns 230,000 quilos de droga (cocaína) aproximadamente. Vendemos US$ 250 milhões aos narcos", revelou Mancuso. Segundo ele, as guerrilhas de esquerda comandavam os outros 83% do narcotráfico no norte da Colômbia. Uma dezena de congressistas aliados a Uribe está presa, porque a Suprema corte de Justiça da Colômbia entendeu que eles tinham vínculos, ainda investigados, com os paramilitares. Libertação de guerrilheiros O ministro do Interior e da Justiça colombiano, Carlos Holguín, anunciou nesta terça que foi decidido o indulto de 49 dos 163 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que o governo libertou recentemente. No anúncio, o ministro afirmou que foram estudados os processos dos guerrilheiros libertados. Deles, 126 estão na prisão de Chicoral, no departamento de Tolima, no sul do país. O restante está na penitenciária de Chiquinquirá, em Boyacá, no norte. Holguín acrescentou que outras 12 resoluções de indulto estão sendo analisadas e que uma decisão pode ser tomada "nas próximas horas". Uribe anunciou a libertação em massa de guerrilheiros das Farc no dia 25 de maio, por "razões de Estado". Além disso, libertou o preso mais importante no país, Rodrigo Granda, conhecido como "chanceler" e detido em dezembro de 2004, em Caracas. O governante libertou Granda a pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Uribe acredita que Granda pode ajudar na negociação entre o governo e as Farc para a libertação das 56 pessoas feitas reféns pelos guerrilheiros. O objetivo seria trocá-los por mais de 500 detidos.

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