Uribe quer "5 milhões de colaboradores" contra guerrilha

Diante da crescente ameaça de ataques terroristas, o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, exortou os colombianos a integrarem uma rede de 5 milhões de informantes civis que ajudem as Forças Armadas e a polícia a evitar novos atentados. "Eu os convido a que aumentemos a cifra do milhão e cheguemos a 5 milhões de colaboradores do esforço público de segurança", disse o presidente Uribe em mensagem por rádio e televisão dirigida, domingo à noite, aos colombianos, para condenar o recente ataque com explosivos contra um clube social em Bogotá, que deixou 32 mortos e 162 feridos. A cifra proposta por Uribe quintuplica o número de colaboradores que, de início, foi proposto para ajudar na luta do Estado contra a guerrilha, os paramilitares e a delinqüência. Tal proposta - que, segundo autoridades, trouxe êxitos na prevenção dos ataques e na captura de milicianos - foi criticada por organismos humanitários, que temem que dessa forma a população civil se aproxime mais do foco da guerra.Uribe também lembrou que continua em todo o país a campanha que concede recompensas milionárias aos que fornecem informações relevantes para a segurança. O presidente advertiu que a Colômbia deve estar em alerta, diante da possibilidade de novos atentados nas principais cidades do país. "Através de meios sérios, fomos informados sobre os planos terroristas contra Bogotá e várias cidades colombianas. Todos nós, autoridades e cidadãos, temos de estar em permanente alerta", indicou. Todos os recentes ataques em Bogotá e Medellín foram atribuídos pelo governo à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).Por sua vez, o Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha do país, declarou, a partir desta segunda-feira, uma "greve armada" de seis dias no departamento (Estado) de Arauca, no oeste da Colômbia - um dos epicentros de violência no país, com atentados com carros-bomba, assassinatos seletivos e sabotagens à indústria petrolífera. A Frente de Guerra Oriental do ELN disse, em um comunicado em sua página na Internet, que a greve é contra o presidente Alvaro Uribe, que impôs "um cerco militar" em Arauca, ao declarar a região como zona de rabilitação. Igualmente, prosseguiu o comunicado, para "rejeitar a presença direta de militares americanos em Arauca", cujo objetivo é "garantir a exploração e o saque dos recursos energéticos". Três dos sete municípios de Arauca foram incluídos, a partir de setembro, em uma zona especial de segurança, onde os militares contam com maiores poderes para realizar detenções, buscas domiciliares e controles sobre a população.A Embaixada da Colômbia no Brasil divulgou hoje nota oficial qualificando de "ato bárbaro" o atentado de sexta-feira contra o El Nogal Club. A embaixada também agradeceu "ao povo e ao governo do Brasil" pelas manifestações de solidariedade.

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