Uribe quer restabelecer estado de sítio na Colômbia

O presidente eleito da Colômbia, Alvaro Uribe, pretende reimplantar o estado de sítio na Colômbia, diante da crise de segurança e a intensificação do conflito armado, que se traduz em cerca de 3.500 mortos e 3.000 seqüestros por ano. "Um país absolutamente inseguro como o nosso tem que tomar decisões a respeito do problema da autoridade e da recuperação dos valores individuais, através do uso legítimo da força", disse nesta sexta-feira o ministro designado para a pasta unificada do Interior e Justiça, Fernando Londoño. O futuro ministro assegurou que a Constituição não contempla as ferrramentas jurídicas necessárias para oferecer proteção aos cidadãos perseguidos pelos grupos armados e o narcotráfico. O estado de sítio foi eliminado na Constituição de 1991, que foi redigida em conjunto por políticos e guerrilheiros desmobilizados. "A partir dos anos 80, houve uma união fatídica entre o narcotráfico e a guerrilha. Diante desse fenômeno novo e distinto, o Estado não encontrou respostas adequadas porque não tem os instrumentos de poder para enfrentá-lo", afirmou. O anúncio de um possível controle futuro sobre as informações que são divulgadas pelos meios de comunicação sobre a violência na Colômbia gerou uma imediata polêmica no país. Depois de Londoño expressar que "em meio à batalha não posso ter noticiários com câmeras e microfones transmitindo a guerra", um pequeno grupo de senadores eleitos do movimento Pólo Democrático, de esquerda, já está questionando o tema.Segundo o senador eleito Carlos Gaviria, entre as mudanças propostas pelo novo governo figuram "limitações às liberdades", entre elas a do manejo da informação sobre o atual conflito armado por parte dos meios de comunicação. Para Gaviria, como para outros senadores, entre os quais Antonio Navarro e Jaime Dusan, restringir o direito à informaçào é atentar contra as liberdades individuais. Por sua vez, o ministro designado explicou que os direitos que se veriam comprometidos se referem à liberdade de informação, em matérias que possam afetar a ordem pública e o livre deslocamento, especialmente para o controle de pessoas envolvidas em atividades ilegais. Falando à Radio FM, Londoño mencionou o caso dos prefeitos e juízes dos departamentos (Estados) de Caquetá e Huila, no sul do país, que foram ameaçados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que abandonem seus cargos. "É preciso protegê-los dos violentos e terroristas que estão usando as armas financiadas pelo narcotráfico", acrescentou. Explicou que a reintrodução do estado de sítio será através de uma reforma constitucional, que daria ao presidente o poder legal de decretá-lo. "Não se trata de sacrificar nenhum direito e, sim, de suspendê-los e limitá-los", disse Londoño, que assumirá o cargo em 7 de agosto.

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