Uribe receberá marcha em Cali

Diálogo marca fim de movimento de 25 mil indígenas

Efe, AFP e Reuters, Bogotá, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

A marcha indígena que há cinco dias partiu da cidade de Piendamó, no Departamento (Estado) de Cáuca, será recebida no domingo pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, em Cali, destino final da marcha, para discutir a ampliação da reforma agrária colombiana, entre outros pontos.O encontro em Cali é uma vitória dos movimentos sociais, uma vez que, na quinta-feira, o presidente colombiano havia sugerido recebê-los num auditório com capacidade para apenas 200 pessoas, na cidade de Popayán, o que obrigaria os organizadores a desviar o trajeto e dividir a marcha.A capacidade de mobilização indígena tem sido a principal arma para pressionar o presidente colombiano. No início, a marcha tinha 10 mil manifestantes; agora, as agências de notícias e os jornais locais falam de 20 mil a 25 mil. O movimento também ganhou apoio da CUT, uma das principais centrais sindicais da Colômbia, que há dois dias decretou greve nacional de 24 horas com base numa pauta de reivindicações semelhante à dos indígenas. Em Bogotá, o dia de paralisações foi marcado por seis atentados simultâneos que feriram 16 pessoas, nenhuma delas gravemente. O prefeito da cidade, o socialista Samuel Moreno, sugeriu que os ataques pretendiam intimidar os movimentos sociais e os grevistas. Já o diretor da Polícia de Bogotá, Rodolfo Palomino, culpou as Farc.As marchas e manifestações têm sido marcadas pela violência. Desde terça-feira, três indígenas que faziam parte da marcha foram mortos e 100 ficaram feridos. Entre a polícia, os feridos somam 70.Governo e indígenas trocam acusações sobre o que teria provocado a morte dos três membros da marcha. Ontem, um laudo pericial concluiu que os ferimentos encontrados na cabeça de uma das vítimas foram provocados por estilhaços de "projéteis de bordas irregulares sem resíduos visíveis de pólvora", o que pode indicar que eles tenham sido feridos mortalmente por estilhaços de bombas artesanais usadas pelos próprios manifestantes.Até então, a polícia era a principal suspeita de ter provocado as mortes. Imagens da rede CNN mostravam um soldado disparando três vezes seu fuzil, aparentemente, na direção da marcha. Depois de ver as imagens, Uribe admitiu que a polícia disparou munição real, mas sustentou a tese, confirmada agora pela perícia, de que os disparos não acertaram os manifestantes.PUNIÇÕESTrês coronéis do Exército colombiano foram exonerados ontem pela participação na morte de 11 civis no Departamento de Santander, no norte do país. Até então, discutia-se se os mortos eram membros da guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN). PAUTA INDÍGENA Terras: dobrar a meta de reforma agrária EUA: rejeitar acordo comercial Recursos naturais: derrubar leis atuais sobre minas, terras e água Violência: investigar crimes cometidos contra indígenas Leis: ratificar acordos com a ONU sobre direitos indígenas

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