Uribe rejeita ingerência em libertação

Colombiano não quer interferência de líderes estrangeiros na entrega de 6 seqüestrados anunciada pelas Farc

AP E EFE, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse ontem que seu governo não permitirá a intervenção de "personalidades internacionais" no processo para a libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).As Farc anunciaram em um comunicado divulgado no domingo que pretendem libertar unilateralmente 6 dos seus 28 reféns políticos - dois políticos, três policiais e um militar. Os cativos seriam entregues "em breve" a uma comissão liderada pela senadora colombiana de oposição Piedad Córdoba, simpatizante do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Numa entrevista para a rádio RCN, de Bogotá, Piedad disse que gostaria que Chávez "acompanhasse" a libertação desses reféns, lembrando que no início do ano as Farc entregaram seis seqüestrados para o presidente venezuelano. Uribe, porém, autorizou apenas o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) a participar das negociações e do processo de libertação. "Se (os guerrilheiros) vão libertá-los, aí está a Cruz Vermelha Internacional que, como sempre, recebe autorização do governo", disse Uribe. "Desde já advertimos ao terrorismo (as Farc) e aos políticos locais que o governo não vai permitir que eles criem riscos para as relações com outros países envolvendo personalidades da comunidade internacional." Em Caracas, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que seu governo respeitará a decisão de Bogotá. No ano passado, a interferência de Chávez na questão dos reféns deteriorou bastante as relações entre a Colômbia e a Venezuela. Uribe não gostou da declarações do venezuelano defendendo que a guerrilha fosse reconhecida como uma "força beligerante" e Chávez chegou a cortar as relações diplomáticas com a Colômbia depois que o Exército colombiano atacou um acampamento das Farc no Equador.No comunicado, as Farc não disseram onde ou quando os reféns serão soltos. Segundo Yves Heller, porta-voz da CICV, a organização já está mantendo "um diálogo confidencial" com as partes envolvidas. Os dois políticos na lista de libertações da guerrilha são o ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, seqüestrado em julho de 2001, e o ex-deputado do Departamento de Valle del Cauca Sigifredo López, capturado em abril de 2002. O nome dos três policiais e do militar não foram divulgados. Segundo as Farc, as libertações unilaterais seriam um gesto para impulsionar um acordo humanitário com o governo.

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