AP Photo/Luis Benavides
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Uribe rejeita que novo acordo de paz com Farc seja referendado no Congresso

Ex-presidente e líder do movimento que defendeu o 'não' ao primeiro acordo com a guerrilha no plebiscito cobrou que o novo pacto - que será assinado nesta quinta - passe por votação popular ao invés de ser avaliado apenas pelo Legislativo

O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2016 | 08h28
Atualizado 23 de novembro de 2016 | 17h05

BOGOTÁ - O partido político Centro Democrático, liderado pelo senador e ex-presidente, Álvaro Uribe, rejeitou nesta quarta-feira, 23, o novo acordo de paz selado entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e prometeu ir às ruas para protestar contra conteúdo do texto e a forma como ele será referendado.

Nesta quinta, o pacto será assinado no Teatro Colón de Bogotá pelo presidente Santos e o líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, que está na capital colombiana desde a segunda-feira, ao lado de outros integrantes do Secretariado da guerrilha. Após a assinatura, o acordo será encaminhado ao Congresso para aprovação final.

A decisão de ratificar o texto revisado no Congresso ao invés de realizar outro plebiscito desagradou a oposição uribista, que liderou a iniciativa de rejeitar o pacto original e pedia mudanças mais profundas na nova versão. 

Em comunicado, o Centro Democrático reconheceu que houve avanços com relação ao primeiro acordo, mas ressaltou que "mudanças fundamentais" não ocorreram, como "total impunidade ou penas simbólicas, que significam o mesmo, para crimes contra a humanidade, e a criação de uma justiça paralela à medida dos interesses da Farc". 

Para o partido, "o governo preferiu a imposição que divide os colombianos" e não "o pacto nacional que criaria aproximações". 

Na noite de terça-feira, ao anunciar a data da assinatura do novo texto, Santos justificou a decisão de aprovar o pacto por meio do Congresso dizendo que outra consulta popular dividiria ainda mais o país. "Esse novo acordo possivelmente não vai satisfazer a todos, mas é isso o que acontece com acordos de paz. Sempre há vozes críticas; é compreensível e respeitável", disse Santos, de 65 anos, alertando que outro plebiscito poderia dividir a nação e ameaçar o cessar-fogo bilateral. 

O partido opositor alega que os riscos de violência se devem, entre outros aspectos, "ao abandono da segurança, ao desmonte da cooperação cidadã, à desmotivação das Forças Armadas, ao crescimento desmesurado do narcotráfico e à impunidade concedida às Farc".

Uribe acrescentou ainda que o plebiscito realizado dia 2 de outubro deveria continuar valendo para partes do acordo que não foram modificadas. "Nós dissemos, de acordo com a palavra empenhada pelo presidente da República e segundo a sentença da Corte Constitucional, que deve prevalecer o plebiscito popular, seja de todo o acordo ou pelo menos desses temas sensíveis sobre os quais não há acordo."

O governo e as Farc assinaram no dia 26 de setembro em Cartagena um primeiro acordo de paz depois de quase quatro anos de negociações em Havana, Cuba. No entanto, o texto foi rejeitado pelos colombianos no plebiscito. / EFE e REUTERS

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