Uribe tenta conter danos de escândalo

Presidente admite até mesmo antecipar eleições legislativas para pôr fim à crise da ?parapolítica?

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse ontem que não tomará medidas radicais para tirar o país da crise política desatada pelo escândalo que vincula legisladores e integrantes de grupos paramilitares de direita. Uribe afirmou que o governo estuda "todas as opções" para resolver a chamada "crise da parapolítica" - entre elas, antecipar as eleições legislativas. "O que me parece fundamental é não deixar o país dar saltos rumo à incerteza", disse o presidente.Ontem, o ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso afirmou que mais da metade dos congressistas colombianos têm vínculos com grupos armados irregulares. Segundo ele, 35% dos membros do Legislativo elegeram-se com apoio dos paramilitares.A declaração coincide com a prisão do ex-senador Mario Uribe - primo do presidente -, acusado de ter ligações com membros da organização Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Até agora, 31 congressistas foram detidos por laços com as AUC.Os escândalos, porém, não têm afetado a imagem de Uribe, que, com 84% de aprovação, é o líder mais popular da América Latina. "Há uma enorme identificação dos colombianos com Uribe e, por isso, ele está blindado contra todo tipo de escândalo", disse ao Estado, por telefone, o cientista político Pablo Casas, da Fundação Segurança e Democracia, em Bogotá. "A parapolítica está concentrada no Congresso e, se alguém for de fato prejudicado, não será Uribe."A analista María Jimena Duzán, colunista do jornal El Tiempo e autora do livro Assim Governa Uribe, afirma que o presidente é popular porque está empenhado em resolver o conflito interno. "O desespero de um país que vive em guerra é o grande responsável pela aceitação de Uribe", disse. "Mas popularidade não é legitimidade e tantos escândalos podem transformar-se num forte golpe à institucionalidade da Colômbia."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.