Urnas fecham na África do Sul; eleição segue onde há filas

Partido do governo pediu ampliação da jornada eleitoral; oposição denuncia falta de material para pleito

Agências internacionais,

22 de abril de 2009 | 16h25

A quarta eleição democrática da África do Sul desde a queda do apartheid, em 1994, terminou às 21h desta quarta-feira, 22, (no horário local, 16h em Brasília), mas as urnas continuarão abertas nos colégios em que ainda há filas ou faltou material para a votação. Os eleitores fizeram longas filas desde o amanhecer. A Comissão Eleitoral Independente (CEI) informou que a decisão de manter os colégios eleitorais abertos foi tomada depois que o governista Congresso Nacional Africano (CNA) pediu a ampliação da jornada e a opositora Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês) ameaçou denunciar as autoridades pela falta de materiais em três províncias.

 

 

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O favorito para a vitória é o líder do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, que superou escândalos de corrupção e abuso sexual. Zuma afirma estar disposto a estabelecer um novo governo que gere uma "mudança visível", para melhorar o nível da maioria negra do país. O Congresso Nacional Africano provavelmente terá uma vitória folgada nas eleições parlamentares.

 

O Parlamento, por sua vez, elege o presidente, o que tornaria Zuma, um dos líderes mais populares na história da sigla, na posição de ocupar o cargo quando a nova assembleia eleger seus novos dirigentes, em maio. Nesta quarta, Zuma disse que, desde jovem, "sabia que este dia chegaria", enquanto era aclamado por um grupo de simpatizantes, após votar em sua localidade natal, Nkandlal.

 

A oposição tem buscado caracterizar o populista Zuma, um ex-guerrilheiro que enfrentou o Apartheid, como um político corrupto e antidemocrático. Já o Congresso Nacional Africano vê em Zuma, de 67 anos, seu primeiro líder com um grande carisma desde Nelson Mandela, primeiro presidente do país (1994-1999) após o fim do regime racista do apartheid.

 

Em Johannesburgo, uma multidão saudou o ex-líder Mandela, quando o frágil político, aos 90 anos, compareceu para votar. No domingo, Mandela compareceu no comício final da campanha de Zuma, sendo saudado pelas milhares de pessoas que ali estavam, mesmo sem ter discursado.

 

CLIMA TRANQUILO

 

"Tudo anda em paz, com tranquilidade e harmonia", disse aos jornalistas Brigalia Bam, presidente da Comissão Eleitoral Independente (CEI), em um comparecimento público na metade da jornada eleitoral. Bam ressaltou que não havia informações de "violência, ameaças ou intimidações" em nenhum dos 19.726 centros de votação do país, que na metade da jornada estavam "todos operacionais", mas admitiu que houve "algumas irregularidades" em várias províncias.

 

A responsável eleitoral admitiu que poderia haver escassez de urnas e de cédulas em alguns colégios, mas garantiu que o fornecimento seria a tempo. Pansy Tlakula, responsável executivo da CEI, explicou algumas outras irregularidades, relacionadas à perda de material eleitoral ou ao surgimento de algumas cédulas marcadas, e ressaltou que, de qualquer forma, "são como uma gota no oceano."

 

CRÍTICAS

 

O arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Nobel da Paz, criticou nesta quarta-feira Zuma. Tutu várias vezes questionou o candidato governista. O religioso, um veterano na luta contra o apartheid, disse que as pessoas não deveriam eleger um candidato que seja contrário a suas convicções.

 

Neste mês, promotores retiraram uma acusação de corrupção contra Zuma, sob o argumento de que ela foi manchada por questões políticas. Na época, Tutu disse que Zuma deveria ser julgado, para provar ou não sua inocência.

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