Uruguai convoca Exército para proteger fábrica finlandesa

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, determinou nesta quarta-feira que o Exército ?faça a segurança? da fábrica finlandesa de pasta de celulose Botnia, que está se instalando na fronteira do país com a Argentina. A decisão teria sido tomada ?por prevenção?. O Uruguai teme que manifestantes reunidos na cidade argentina de Gualeguaychú atravessem a ponte que os separa do Uruguai. Segundo as edições dos jornais El Pais e Ultimas Noticias, Tabaré Vázquez ordenou ao comandante do Exército uruguaio, Jorge Rosales, que instale uma ?proteção em volta? da fábrica. O projeto de construção desta fábrica de celulose gerou o pior conflito das últimas décadas entre a Argentina, que considera que a empresa contaminará o meio ambiente, e o Uruguai, que rejeita essa possibilidade. "Atravessar a ponte" As duas cidades são banhadas pelo rio Uruguai, que liga os dois países. Há meses, entre idas e vindas, moradores argentinos bloqueiam o trânsito na rodovia 136, principal acesso ao Uruguai, em protesto contra a construção da fábrica. "A medida foi adotada para proteger nossos ativos", disse o ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, sobre a convocação do Exército. No domingo, em entrevista ao programa Hora Clave, do Canal 9, da Argentina, um dos representantes dos manifestantes disse: ?Não temos nada contra nossos irmãos uruguaios. Mas se a fábrica for inaugurada, não descartamos atravessar a ponte para protestar no território uruguaio?. A possibilidade de invasão de manifestantes argentinos tem sido tema de conversas freqüentes nos bastidores do governo de Tabaré Vázquez. Tribunal Sócios do Mercosul e vizinhos, Argentina e Uruguai já apelaram para a mediação internacional do rei da Espanha, Juan Carlos I, e do Tribunal Internacional de Haia, na Holanda. Especula-se que até mesmo o ex-líder da União Soviética Michael Gorbachev possa ser chamado para as negociações. Para a Argentina, segundo relatos de fontes do Ministério das Relações Exteriores, essa é uma ?questão bilateral?. Já para os uruguaios, o assunto poderia estar sendo ?discutido com mais profundidade? no Mercosul. Nesta quarta-feira, o Tribunal de Haia convocou representantes dos dois países para uma audiência na Holanda, nos dias 18 e 19 de dezembro, segundo informações jornal argentino Clarín. O processo em Haia foi aberto pela Argentina, que alega que o Uruguai desrespeitou um acordo para a proteção do rio que os países compartilham. A expectativa é de que o Tribunal de Haia divulgue sua decisão nos primeiros dias de janeiro.

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