Uruguai cria dia do "Nunca mais"

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, assinou nesta terça-feira um decreto que estabelece 19 de junho como o dia do "Nunca mais", em relação aos desaparecimentos forçados e às violações dos direitos humanos ocorridas durante a última ditadura, entre 1973 e 1985.O decreto também estabelece uma Secretaria de Acompanhamento para receber novas informações sobre o período que possam surgir, além de continuar trabalhando nos casos de uruguaios desaparecidos no Brasil, na Argentina, no Chile e no Paraguai durante a época da coordenação repressiva dos regimes militares na América do Sul.Vázquez disse que seu Governo atuou o tempo todo dentro da Constituição na investigação dos fatos ocorridos no passado. O presidente afirmou que para o Governo "não há final da história nem ponto final", porque com este decreto se estabelece "a culminação de uma etapa, de um processo, que continua e queContinuará".O líder reconheceu que nos últimos meses não surgiram informações sérias e verdadeiras sobre os horrores da ditadura no Uruguai, mas disse que o Governo tem diante dos cidadãos o compromisso de continuar com os esforços para conhecer a verdade.Vázquez afirmou que é seu desejo, como o de todos os uruguaios, "poder avançar em direção ao futuro em um terreno de reconciliação e de reencontro", para que todos juntos possam "assumir que estes tristes e negativos fatos que aconteceram no país nunca mais voltem a acontecer".O presidente deve ter de responder aos setores da esquerda que o levaram ao poder, entre eles o Partido Comunista e as organizações de direitos humanos que criticaram a instituição do dia do "Nunca mais".Para os críticos, "a reconciliação no pode ser decretada". Além disso, há mais de 200 desaparecidos uruguaios do período ditatorial que ainda têm seus destinos desconhecidos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.