Uruguai demite embaixador que incluiu Argentina em acordo

Governo uruguaio tenta convencer Brasil e os europeus a aceitarem que os argentinos entrem em um segundo momento no pacto

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 18h14

BUENOS AIRES - O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, demitiu o embaixador do Uruguai na União Europeia, Walter Canela, depois de ele incluir a Argentina "desde o início" em um acordo comercial que o Mercosul negocia com a União Europeia. O Uruguai tenta convencer o Brasil e os europeus a aceitarem que os argentinos entrem em um segundo momento no pacto.

Segundo o semanário uruguaio Búsqueda, a demissão está diretamente relacionada à manifestação do embaixador de que os europeus deveriam incluir desde o início todos os membros do bloco sul-americano. Na segunda-feira, Canela disse que o acordo envolveria todos os sócios originais (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai) "porque a UE tem mandato para negociar com o Mercosul e não com governos separadamente".

Segundo a imprensa uruguaia, a iniciativa enfureceu Tabaré. "A política exterior está fixada pelo presidente da República", disse o chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa, após a demissão. "Estão desautorizadas declarações do embaixador", disse ao jornal uruguaio El Observador. Novoa foi justamente quem falou diretamente, em nome do governo, em "velocidades diferentes" para incluir os argentinos somente mais tarde na negociação. 

Há uma semana, diante de ministros brasileiros, o governo argentino rebateu em Buenos Aires a pressão feita pelo Uruguai para que o acordo seja fechado logo, pedido feito por Tabaré à presidente Dilma Rousseff no dia 21. O chanceler Héctor Timerman descartou essa possibilidade com certa irritação. "A posição de todo o Mercosul é uma só oferta e a uma velocidade só, em bloco. Nenhum outro país fez oferta diferente. Faremos uma oferta comum e uma negociação conjunta para o benefício dos nossos países", afirmou. Ele esteve reunido com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.

Paradas há mais de um ano, as negociações para o acordo comercial entre Brasil e União Europeia devem ser retomadas durante a cúpula UE e Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), na metade de junho, em Bruxelas. O Brasil pediu e conseguiu marcar uma reunião à margem da Cúpula, onde o Mercosul pretende mostrar que a proposta da região está de acordo com os parâmetros acertados na abertura das negociações, há três anos, e se aproxima da inclusão de 90% dos produtos da região na liberação tarifária.

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