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Carla e Aristeu Antonello se vacinaram no Uruguai, mas Cecília (D) teve de esperar: “Primeiro fiquei eufórico, mas depois triste, com sensação de ter passado à frente de parentes mais idosos”, diz Aristeu Antonello, de 55 anos Arquivo Pessoal

Uruguai envia vacinas para blindar fronteira

No geral, os brasileiros não podem entrar no país, exceto no caso de reagrupamento familiar

Rodrigo Evaldt / Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2021 | 05h00

SANT’ANA DO LIVRAMENTO - No Uruguai, sobras de vacinas de outras regiões do país serão direcionadas para "blindar e selar" a fronteira com o Rio Grande do Sul, onde o sistema de saúde entrou em colapso no fim de fevereiro. 

"Estamos 'ameaçados' pela situação epidemiológica brasileira. A rapidez com a qual nos vacinamos vai ser fundamental para que o vírus deixe de sofrer mutações no nosso país. Quando o vírus está circulando, sofre mutação", afirmou Daniel Salinas, ministro da Saúde uruguaio.

No geral, os brasileiros não podem entrar no país, exceto no caso de reagrupamento familiar. "Sim, nos preocupa o estado (da pandemia) no Brasil e a circulação da variante P1", disse a matemática María Inés Fariello, integrante do Grupo Assessor Científico Honorário (GACH) do governo do Uruguai. 

O país começou a vacinar pessoas de 50 a 70 anos nos últimos dias, inclusive brasileiros com dupla cidadania, e intensificou as barreiras sanitárias na fronteira com o Brasil, que tem pouco mais de mil quilômetros.

Nesta semana, o governo do Uruguai anunciou que, a partir do dia 29 de março, iniciará o agendamento de pessoas entre 18 e 70 anos para que possam se vacinar contra a covid-19. O anúncio considera também os brasileiros que têm nacionalidade uruguaia e vivem em zonas de fronteira. A população nessa condição não é exata, contudo, boa parte das pessoas que nascem na região da fronteira seca do Rio Grande do Sul têm família com dupla nacionalidade. 

No dia 1º de março, o Uruguai começou o plano nacional de vacinação pelos policiais, militares do Exército, bombeiros e professores. Logo em seguida iniciou a imunização dos profissionais da saúde e de pessoas entre 50 e 70 anos.  

O país oferece várias formas de marcar a vacinação. No dia e hora marcados, o tempo de identificação até a vacinação dura em torno de 10 minutos. Essa realidade é vivida por quem mora nas cidades conurbadas – e sem controle migratório – de Sant’Ana do Livramento, no Brasil, e Rivera, no Uruguai. 

É o caso do contador e administrador Aristeu Antonello, de 55 anos. Ele e sua mulher puderam se vacinar no Uruguai, mas a sua sogra, Cecília Amaral, de 77 anos, precisou esperar mais alguns dias para receber o imunizante na cidade brasileira. 

“Em um primeiro momento fiquei eufórico por ter sido contemplado com a possibilidade de ficar imune à covid, mas depois triste, com a sensação de ter passado à frente de pessoas, parentes mais idosos com quem eu convivo”, relatou Antonello. 

Sua mulher, a professora Carla Antonello, de 52 anos, considera inteligente a "barreira de proteção" feita pelo Uruguai, vacinando os uruguaios que residem nas cidades que fazem fronteira com o Brasil.  

Enquanto isso, no lado brasileiro da fronteira, a vacinação evolui aos poucos. No dia 18, o município de Sant’Ana do Livramento anunciou que começaria a vacinação dos idosos acima dos 70 anos. A aposentada Maria de Lourdes Dias, de 74 anos, falou sobre os momentos de espera. “Estou em casa desde o dia 9 de março de 2020, o meu irmão faz as compras, meu filho vai no banco e minha nora paga as contas”, contou. 

Maria de Lourdes é filha de pai uruguaio e também poderia ter feito sua nacionalidade no país vizinho, já que a legislação lhe garante esse direito pelo princípio da consanguinidade. A condição de “doble chapa”, ou dupla nacionalidade, lhe teria assegurado a vacinação em Rivera.  

 

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