Uruguai liga bloqueio a Cuba a cerco às Malvinas

Chanceler uruguaio compara tentativa argentina de isolar comercialmente as ilhas ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos ao regime cubano

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

29 Março 2012 | 03h02

O chanceler uruguaio, Luis Almagro, comparou ontem o cerco comercial às Malvinas organizado pela Argentina ao embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba. Almagro afirmou que não respalda o "bloqueio comercial argentino às ilhas". Segundo o chanceler, "apoiar esse bloqueio seria uma violação aos direitos humanos dos habitantes dessa ilha. É a mesma coisa que dizemos em relação ao bloqueio econômico contra Cuba".

A associação foi feita após o chanceler garantir que o governo do presidente José Mujica não se oporá à exportação de produtos uruguaios que empresários locais destinarão às Malvinas.

Segundo Almagro, embora o governo uruguaio respalde a reivindicação territorial argentina sobre as Malvinas (o governo da província de Buenos Aires controlou as ilhas entre 1820 e 1833), não concorda com o bloqueio.

O arquipélago reivindicado pela Argentina - sob domínio britânico há 179 anos - está sob forte pressão da presidente Cristina Kirchner. Nos últimos quatro meses, Cristina obteve dos países do Mercosul a proibição de atracagem de navios com bandeira das Malvinas nos portos do bloco do Cone Sul; declarou a "ilegalidade" da exploração petrolífera na ilha, feita por empresas britânicas; além de ameaçar os ilhéus com o fim dos voos semanais feitos pela companhia aérea chilena Lan, que, provenientes de Punta Arenas, passam pelo espaço aéreo argentino.

Um grupo de 19 empresários uruguaios viajou às Malvinas em fevereiro para explorar possibilidades comerciais. No início desta semana, eles confirmaram que - cansados das barreiras comerciais argentinas para a entrada dos produtos uruguaios - decidiram escolher um novo destino para suas mercadorias e optaram pelas Malvinas.

"O Uruguai tem negócios de forma contínua com as Falklands (designação britânica para as Malvinas) há 200 anos. O comércio nunca foi interrompido. Mas, como agora existe um problema concreto com a Argentina, qualquer tipo de comércio do Uruguai com as ilhas fica mais visível", analisou o vice-presidente da Câmara de Comércio Uruguaio-Britânica, Guillermo Wild.

O chanceler Almagro ressaltou que os empresários de seu país são livres: "Os empresários uruguaios fazem negócios com quem quiserem e com quem puderem".

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