TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Uruguai não quer ser visto como destino do 'turismo da maconha', diz ministra

Liliam Kechichián defende o 'método inovador de lutar contra o narcotráfico' adotado pelo governo, mas diz que prefere que a Nação seja lembrada por seus 'singulares recursos naturais, culturais e de lazer'

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 09h55

MONTEVIDÉU - O Uruguai não quer ser visto como um destino do "turismo da maconha", mas sim como um país singular por seus recursos naturais, culturais e de lazer, adotando um método inovador de lutar contra o narcotráfico, afirmou na quarta-feira a ministra do Turismo, Liliam Kechichián.

A ministra disse que a liberação do uso de maconha recreativa no país é uma ferramenta para lutar contra o tráfico de drogas e não prevê a possibilidade de autorizar a compra da substância por turistas que visitem o país.

"Nós delineamos isso como uma política interna de luta contra a droga para nossa sociedade. O turista que chega ao Uruguai tem que saber que não vai poder comprar maconha nas farmácias", explicou.

"Quando se discutiu o projeto de lei que autorizou a regulação da cannabis no Uruguai ficou muito claro que não queríamos um turismo da maconha, mas sim a implementação de um sistema com base no papel do Estado como o grande regulador de políticas até agora não vistas para combater e acabar com o narcotráfico", completou.

Liliam explicou que a regulamentação do mercado de maconha é visto pelo Ministério do Turismo de uma forma diferente, destacando o fato de que o Uruguai se posiciona como "inovador" sobre esse assunto por ter sido o primeiro país da região a aprovar uma iniciativa desse tipo.

A ministra disse que a compra e venda de maconha controlada pelo governo tem um impacto positivo que se soma a outros aspectos de vanguarda do Uruguai, o primeiro país a permitir o voto feminino e o divórcio na América Latina, o que mostra que há uma história busca pela garantia de direitos no país.

"Temos uma agenda de direitos que é inovadora, como, por exemplo, no casamento de pessoas do mesmo sexo, já que na América Latina somos um dos poucos países que o permitem. Nos temas ao coletivo LGBT, somos o país mais amigável da região. Isso é inovação pura", afirmou a ministra.

O Uruguai se tornou na semana passada no primeiro país do mundo a controlar, do início ao fim, a produção, compra e venda de maconha de uso recreativo, que é distribuída em farmácias.

Os usuários precisam de um cadastro para comprar a substância, que é vendida, por enquanto, em apenas 16 farmácias situadas em 11 dos 19 departamentos do país. As quantidades que podem ser compradas também são controladas pelo governo. / EFE

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