Uruguai não queria Caracas no bloco, diz chanceler

Luis Almagro afirma que a iniciativa partiu do Brasil, mas Garcia nega que o País tenha feito pressão para a Venezuela entrar no Mercosul

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h02

O chanceler do Uruguai, Luis Almagro, disse ontem que seu país foi contra a entrada da Venezuela no Mercosul, mas não quis exercer o poder de veto no bloco. Na reunião de cúpula em Mendoza, na Argentina, na sexta-feira, que suspendeu o Paraguai, os países membros decidiram que Caracas entrará formalmente no bloco no dia 31 de julho.

"Acreditamos que não era o momento (para a entrada da Venezuela) e isso não deveria ser implementado nessas circunstâncias. Temos fundamentos jurídicos, políticos e éticos a respeito disso, que expusemos durante toda a quinta-feira, nas negociações", disse Almagro, ao Canal 4 de Montevidéu. "Nesses termos e nessas condições fui contrário ao que foi feito."

A decisão foi tomada após o Paraguai ter sido suspenso do bloco por causa do impeachment sofrido pelo presidente Fernando Lugo, no dia 22. A entrada da Venezuela no Mercosul já havia sido aprovada pelos Parlamentos argentino, uruguaio e brasileiro, mais ainda necessitava da aprovação do Senado do Paraguai - que se mostrava contra - para entrar em vigor. Com a suspensão de Assunção, o ingresso foi autorizado.

Almagro acrescentou que a decisão pela entrada da Venezuela foi concluída em uma reunião entre os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Brasil, Dilma Rousseff e do Uruguai, José Mujica. Ainda de acordo com ele, a iniciativa partiu do Brasil. Almagro disse que o Uruguai optou por não exercer o poder de veto para não bloquear a maioria.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou que o Brasil tenha feito qualquer tipo de pressão para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul. "Não houve pressão nenhuma. Este não é o jeito de o governo brasileiro fazer política", disse Garcia, que telefonou ontem para o presidente do Uruguai. Ele lembrou que foi Mujica quem propôs que a inclusão da Venezuela no Mercosul ocorresse a partir de 31 de julho e disse que, no telefonema, Mujica confirmou sua posição.

"A posição que o Brasil levou à Argentina foi fortemente amparada por critérios jurídicos. Pedimos um longo parecer à Advocacia-Geral da União para ver quais as alternativas que se aplicariam no caso", declarou. "Não fizemos pressão sobre nenhum país. Não é estilo da presidente Dilma Rousseff de fazê-lo. A decisão foi tomada pelos três países e refletiu consenso político. Portanto, não corresponde a tese de que teria sido feito pressão qualquer sobre o Uruguai." Ele insistiu que não haverá sanções econômicas ao Paraguai. / TÂNIA MONTEIRO

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