Uruguai pede reunião de emergência para resolver crise com Argentina

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, pediu uma reunião extraordinária do Mercosul para resolver tentar resolver a crise com a Argentina por causa da construção de três fábricas na fronteira. O trânsito em uma das três principais pontes de acesso da Argentina ao Uruguai está bloqueada por manifestantes argentinos há mais de dez dias.Nesta quinta-feira, uma nova manifestação, em outra ponte de acesso ao Uruguai, está marcada, também com o objetivo de parar a construção de duas fábricas de pasta de celulose em Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai, em frente à cidade argentina de Gualeguaychu.Mais duas fábricas do setor também estariam prestes a ser erguidas na região, uma no Uruguai e outra em São Borja, no Rio Grande do Sul, segundo assessores dos dois governos. Em três dos quatro projetos, as fábricas estarão às margens do rio Uruguai, que une Argentina, Uruguai e Brasil, e no quarto caso, nas proximidades do rio Negro, que também deságua no rio Uruguai.As construções viraram pivô de uma disputa entre os governos do Uruguai e da Argentina e chamaram atenção dos ambientalistas para o interesse desta indústria pela região.Nos últimos dias, as fábricas Botnia (finlandesa) e Ence (espanhola) transformaram-se no motivo de uma queda de braço entre os presidentes Tabaré Vázquez e Nestor Kirchner, da Argentina. As outras duas fábricas seriam a sueco-finlandesa Stora-Enso e a brasileira Aracruz Celulose.Tribunal de HaiaKirchner mandou um projeto de lei ao Congresso Nacional, pedindo respaldo dos parlamentares para apelar ao Tribunal Internacional de Haia contra as construções no Uruguai. Vázquez, por sua vez, conseguiu apoio de todos os partidos políticos do seu país - Blanco, Colorado e Frente Amplo, que é sua base de apoio - e disse, mais de uma vez, através de seus ministros, que não desistirá das obras.Elas representam, segundo o governo uruguaio, os maiores investimentos já feitos no país (US$ 1,7 bilhão, ou cerca de 11% do Produto Interno Bruto).Ambientalistas argentinos e uruguaios, como a argentina Paula Brusman, do Greenpeace, em Buenos Aires, e o uruguaio Ricardo Carrere, do grupo Guayubira, em Montevidéu, condenam as construções, alegando que poluirão o ar, prejudicarão o turismo e a pesca.

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