Uruguai quer que militares e ex-guerrilheiros assumam crimes

O presidente do Uruguai, TabaréVázquez, iniciou conversações com militares e ex-guerrilheirospara tentar convencê-los a admitir sua responsabilidade durantea ditadura, o que poderia levar à superação de traumas daqueleperíodo. O chanceler Gonzalo Fernández disse na quinta-feira que ainiciativa de Vázquez não representa um ponto final na atuaçãoda Justiça, que já prendeu alguns responsáveis por violações dedireitos humanos durante o regime (1973-85). Vázquez "teve alguma conversa com algum membro das ForçasArmadas e com alguns membros do Movimento de LibertaçãoNacional (Tupamaros) na procura para que se faça umreconhecimento dos fatos ocorridos no passado", declarou. "O que em princípio é a idéia do presidente é que todosreconheçam sua quota de responsabilidade nos fatos ocorridos nopassado", acrescentou. O grupo Tupamaros, surgido na década de 1960, está há anosafastado da luta armada e atualmente integra o partidogovernista Frente Ampla. Vários ex-guerrilheiros têm cargos nogoverno e no Congresso. Durante a ditadura, cerca de 200 uruguaios foramsequestrados e assassinados por militares que perseguiamsimpatizantes de esquerda contrários ao governo. A maioria das vítimas do regime permanece desaparecida.Desde a posse de Vázquez, em 2005, os militares prestam maisinformações sobre seu destino, mas só duas vítimas foramencontradas até agora. Dez militares e o presidente civil do regime foram enviadosà prisão recentemente, depois de o governo excluir seus casosde uma lei de anistia, alegando que o delito inicial desequestro havia começado na Argentina. (Reportagem de Conrado Hornos)

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