Uruguai rechaça ex-presidente Kirchner como secretário da Unasul

O Uruguai decidiu que não votará no ex-presidente argentino Néstor Kirchner para assumir o cargo de secretário-executivo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), por causa da falta de diálogo entre os dois países a respeito de uma fábrica de celulose construída na fronteira comum, afirmou na quinta-feira um membro do Poder Legislativo uruguaio. O chanceler do Uruguai, Gonzalo Fernández, comunicou na noite de quarta-feira, aos líderes de partidos da oposição, a postura do governo a respeito da próxima votação na Unasul, explicou à Reuters o senador do Partido Colorado e ex-ministro das Relações Exteriores Didier Opertti. O Uruguai criticou o governo do país vizinho por não ter feito nada para desobstruir uma ponte binacional ocupada por ambientalistas argentinos há mais de dois anos. Os ambientalistas protestam devido à instalação de uma fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia na margem uruguaia de um rio fronteiriço. "A Unasul é uma instituição criada recentemente e um de seus objetivos fundamentais é promover e ampliar o diálogo. E se há algo de que podemos falar é que esse diálogo para resolver qualquer tipo de problema, esse diálogo sério, respeitoso, não existiu com a Argentina", afirmou Opertti. O senador disse que seu bloco apóia a decisão do governo, a qual, nas palavras dele, "não é uma manobra estratégica." Líderes de outros setores da oposição afirmaram a meios de comunicação uruguaios que seus partidos também concordam com a postura do governo. O conflito sobre a fábrica de celulose, que chegou à Corte Internacional de Justiça (onde a Argentina denunciou o Uruguai por violar um tratado bilateral), atingiu o âmbito diplomático três anos atrás. No início de outubro, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, presidente interina da Unasul, disse que até o momento existiam somente a candidatura de Kirchner e do político boliviano Pablo Solón. A chancelaria chilena informou que ainda não está decidido quando ocorrerá a próxima reunião da entidade, prevista para antes do fim do ano. A Unasul é formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. (Por Patricia Avila; Reportagem adicional de Mónica Vargas em Santiago)

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